Sebastião Ananias entra na mira da CEI dos Bagres


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Sebastião Ananias, secretário de Finanças, durante depoimento na Câmara: suspeita de improbidade administrativa
Sebastião Ananias, secretário de Finanças, durante depoimento na Câmara: suspeita de improbidade administrativa
Sebastião Ananias está na mira da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga o superfaturamento de R$ 1,2 milhão nas obras para contenção de enchentes no Córrego dos Bagres. Tratado até agora como testemunha pelo Ministério Público e pela sindicância interna da Prefeitura, ele é tratado como investigado pelos vereadores. “Ele já está sendo investigado desde o início. A secretaria dele é onde as irregularidades aconteceram, já que a Copel está vinculada a ela. Não entendi, até o momento, por que não havia sido feito esse questionamento”, disse o presidente da CEI, Silas Cuba (PT). Segundo o petista, Sidnei Rocha determinou, através de dois decretos aos quais o Comércio teve acesso, que a responsabilidade pela abertura e encerramento de processos licitatórios, bem como o julgamento da habilitação dos participantes, é atribuída ao secretário de Finanças, e não ao Presidente da Copel, na época Caetano Perobelli, implicado por improbidade no caso. Ao não analisar tais pontos, portanto, Ananias cometeria crime de improbidade. “Com certeza ele cometeu improbidade. Está claro quem deveria autorizar a licitação, que é o secretário, quem deveria conferir a documentação, que era o secretário. A menos que os decretos não sejam obedecidos pelos subordinados do prefeito, está claro que o secretário deixou de cumprir com o que lhe foi delegado”. A declaração foi dada com exclusividade ao Comércio ontem após o depoimento de Ananias à CEI, realizado pela manhã na Câmara. Para o secretário, entretanto, a falta de sua assinatura nos processos descarta a possibilidade. “O processo (da licitação do projeto técnico para as obras do Bagres, vencida pela Betontest) não voltou para mim. Não tive conhecimento, não faz parte da Secretaria de Finanças fazer a análise, e sim da Secretaria que pede a obra”, afirmou. Ele afirmou, durante o depoimento, que passam por sua pasta cerca de 34 mil processos por ano, dos quais ele tem acesso direto a 27 mil. “Eu nem leio os nomes de quem solicita ou quem está envolvido. Só analiso a parte técnica”, disse. FRACIONAMENTO A CEI também analisa o fracionamento das obras para contenção de enchentes. Segundo ele, a primeira obra do Bagres, avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões, foi dividida em obras menores, o que é irregular segundo a lei de licitações. “O secretário confirmou, embora tenha se esquivado, que existiu fracionamento das obras, o que é ilegal. Será mais um ponto a ser investigado”, disse Cuba. Já Ananias declarou que “em alguns casos, o fracionamento pode ser feito” e que as obras eram “em pontos diferentes, o que não caracteriza fracionamento”.

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