O que deu errado?


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Quando tudo parece desandar, é comum tentarmos achar respostas para o que achamos que deu errado em nossa vida, não é? No caso das separações na maturidade, temas que há alguns meses estamos abordando, as respostas a essas perguntas não devem servir de bengala ou escudo para a autopiedade, vitimização (o outro representado como o vilão cruel da história e você a pobre e injustiçada criatura. Não tenha pena de si mesma! Ela não lhe levará a parte alguma, pelo contrário, poderá até paralisá-la). Essa listagem, do que você considera que ‘deu errado’ na sua vida também não deve se prestar à confirmação de idéias negativas que você possui a respeito de si própria. Tampouco uma forma de você se culpar e martirizar. Tais respostas, que não estão em outra parte, senão dentro de você mesma, podem ser utilizadas como pontos de partida para repensar toda a sua trajetória. Para lhe oferecer um novo direcionamento, encorajá-la a reavaliar suas prioridades. Outra pergunta fundamental que você deve se fazer, mais uma vez, passando longe de qualquer idéia de culpa que venha lhe assolar, pensando na palavra ‘contribuição’ é: qual foi o meu grau de contribuição para o sucesso e também as dificuldades dessa relação? Faça uma lista enumerando o que acredita que de bom viveu, que qualidades pessoais você possui, que contribuições deu para o sucesso do casamento e, na mesma proporção, o que de destrutivo traz em si, avaliando o grau de tolerância às diferenças, às dificuldades. Carlos Drummond de Andrade disse, num de seus poemas : “Há vários motivos para não amar uma pessoa, e um só para amá-la: este prevalece”. Quais as várias razões que alguém teria para não amá-la? E a única para amá-la? Ou inversamente, quais as inúmeras razões para amá-la e a única para se esquivar? Pronta a tal listagem, a ser respondida com toda a sinceridade para consigo mesma, avalie o que poderá aproveitar dela para tentar evitar tropeços nas repetições e caminhar um pouco mais livre e autêntica daqui em diante. Você consegue hoje visualizar, fazer mesmo uma imagem mental, como um retrato, buscando no passado a aparência, as aspirações, as atitudes, enfim, que mulher era aquela quando casada? Relacioná-la com a que está sendo agora e com a que gostaria de vir a ser? O melhor nesse momento é colocar a sua vida atual em perspectiva, isto é, pensar sobre o que você fez para resolver suas dificuldades e no que ainda precisa fazer para minimizar seus conflitos. SUPERDOTADO O Comércio publicou, durante essa semana, texto intitulado ‘O Menino Gênio’, sobre o garoto Vinícius Araújo, de 5 anos e que, desde os 2, já sabe ler e escrever. Numa visão superficial, sem avaliação específica, ao que tudo indica, parece se tratar de um caso de precocidade intelectual, em que as habilidades lingüísticas se mostram privilegiadas. Ainda é cedo para falar em genialidade. Talvez ansiosos por uma quantificação, uma medida dessa inteligência, os pais dessa criança desejam submetê-la a testes de avaliação do quoeficiente de inteligência, os famosos testes de Q.I. De Binet e Simon, que são indicadores quantitativos de precocidade ou retardamento intelectual. Por muito tempo, esses testes foram amplamente utilizados com propósitos de mensuração da dotação intelectual em escolas, entrevistas de emprego, etc. Mas, na década de 70, pesquisadores começaram a perceber falhas e lacunas nos testes de Q.I., especialmente quanto à sua capacidade de abranger a totalidade das faculdades intelectuais do homem nos variados contextos e situações em que este se insere. Também são sérias as restrições quanto ao seu potencial (inicialmente alardeado) de prever o futuro sucesso ou fracasso profissional. Por isso, esse instrumento passou por reavaliação, sendo hoje considerado uma medida de um conjunto específico de habilidades num determinado contexto e não mais como um teste capaz de refletir a capacidade mental global. TESTES DE Q.I. Outros críticos dizem que esses testes se concentram, de forma geral, nas habilidades e aquisições acadêmicas, como linguagem e raciocínio -lógico, desprezando características fundamentais como como criatividade. Alguns pesquisadores demonstraram que os resultados desses testes variam muito ao longo do desenvolvimento da criança, e, por isso, seus resultados não podem ser definitivos quanto à capacidade intelectual. Assim, considerando a evolução humana, sua dinâmica constante, é muito perigoso ‘rotular’ um indivíduo e condená-lo à prisão de um resultado quantitativo. O filme “Mentes que Brilham”, de Jodie Foster, mostra bem isso. A QUALIDADE DAS RELAÇÕES Mas por que tais testes ainda despertam tanta curiosidade? A questão é simples é reflete a necessidade humana por classificações, quantificações e conceitos polarizados como certo e errado; bom e mau; bom aluno e mau aluno, etc. Mas, o significado do Q.I. torna-se questionável quando admitimos que a aprendizagem transcende questões puramente formais da inteligência. A idéia corrente, hoje, em Educação, é a de que qualquer pessoa é capaz de aprender, desde que inclusa num ambiente escolar rico em interações e afeto. Um resultado de Q.I. 70 de uma criança, confrontado com um de 250, de outra, por exemplo, pode demonstrar algumas questões relevantes, caminhos a serem percorridos, questões a serem trabalhadas. Mas não garante que a criança com resultado maior no teste será mais feliz do que a outra, uma vez que não estão implicados aí medidas sobre a forma como as crianças resolvem problemas e dificuldades, a sua capacidade adaptativa, a qualidade das relações dessas crianças na escola, na família,, que afinal, determinarão seu maior ou menor sucesso futuro.

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