Os credores da Samello decidiram adiar a decisão sobre o futuro da empresa por mais 45 dias. As três categorias - bancos, fornecedores e trabalhadores - compareceram à reunião, mas não chegaram a um acordo com os advogados da Samello. Deu mais peso ainda à solicitação de adiamento a iniciativa ter partido dos dois maiores credores, BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), ambos ligados ao governo federal.
Segundo o advogado da empresa, Reginaldo Estephanelli, a alegação das estatais foi a de que faltou tempo hábil para avaliar a proposta de pagamento. “Pela ligação com o governo, a burocracia é muito grande e são vários os processos de análise. Para nós é péssimo, pois o quanto antes a produção voltar, melhor para todos”, disse. “Como os outros concordaram, o adiamento foi acatado”.
Com isso, os ex-funcionários e prestadores de serviço da Samello terão de continuar na espera para receber seus créditos. A única esperança para eles seria a venda de imóveis pertencentes à empresa. “O primeiro dinheiro que entrar será dos trabalhadores, mas ainda não foi vendido nada. Há ofertas, mas nada foi fechado”, disse o advogado.
A Samello enfrenta intensa crise financeira desde 2004 e passa por processo de recuperação judicial desde novembro do ano passado. O objetivo do processo é a negociação para o pagamento dos mais de R$ 90 milhões devidos pela empresa.
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