Duas ruas, um bairro


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RELIGIOSIDADE - A Igreja de Santa Rita, no centro do Buritizinho, é um dos locais onde os moradores se encontram para as missas que são celebradas duas vezes ao mês
RELIGIOSIDADE - A Igreja de Santa Rita, no centro do Buritizinho, é um dos locais onde os moradores se encontram para as missas que são celebradas duas vezes ao mês
Ao caminhar pelo Buritizinho, bairro rural situado no município de São José da Bela Vista, a primeira impressão é que não mora ninguém no vilarejo. O povoado fica às margens da Rodovia Fábio Talarico, que liga Franca a São Joaquim da Barra. Os motoristas desatentos passam pelo vilarejo sem perceber. A entrada é uma estrada de terra escondida atrás de uma placa. O cenário de um local deserto se repete em uma rua sem saída no meio do bairro.Trepadeiras crescem nos telhados das casas, denunciando o abandono. Os imóveis parecem estar fechados há anos. Essas são apenas as primeiras impressões, mas bastam alguns minutos e uma volta pelo bairro para encontrar os moradores. Gentis, vão logo cumprimentando e puxando conversa. Há os mais tímidos, mas se animam rapidamente com os vizinhos. A população é composta por pouco mais de 60 pessoas, a maioria mora em chácaras. O bairro é bem pequeno. Tem apenas duas ruas, ambas de chão batido. O ponto de encontro dos moradores é a vendinha da praça de propriedade de Valnei Limonti, 40. Lá, tem de tudo. Se o freguês precisa de pão. O Valnei tem. Precisa de maionese? Tem. Quer comprar alicate? Tem também. Fralda, lanterna, suco, medicamento, pinga, cigarro, tempero, pimenta, filme fotográfico, carne? Pode riscar da lista. Na vendinha do Valnei, tem de tudo e um pouco mais. A todo momento chega um. Ele não pára de andar de um lado para o outro. É até difícil conversar. Quando o freguês encontra um amigo, vai ficando. O papo vai longe. O aposentado Augusto Marquete, 61, é um deles. Logo nas primeiras horas do dia, já está no bar e começa a beber uma cervejinha à espera dos companheiros. “Aqui é muito bom. É sossegado. Tenho muitos amigos”, disse o aposentado, que tem 20 anos de Buritizinho. [FOTO2] O grupo é reforçado ainda por Paschoal Martins, 60, e Osmar Antônio Cintra, 61. Também aposentados, eles moram no povoado há mais de 40 anos e não pensam em sair. “Ir embora daqui? De jeito nenhum”, disse Paschoal. A turma ganhou recentemente mais um integrante. José Aparecido Silva, 67, se mudou para o Buritizinho há apenas seis meses e se apaixonou. “Eu morava em São José e comprei uma chácara aqui. Moro sozinho e gosto muito do sossego, principalmente porque não tem esse negócio de violência”, disse. A mulher e a filha moram em Franca e sempre que podem vão visitá-lo. Quando não estão na venda do Valnei, os moradores se encontram na pracinha da Igreja de Santa Rita, onde todos os bancos foram doados pelos próprios moradores e têm seus nomes.

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