A missão da universidade


| Tempo de leitura: 4 min
Recentemente, o Jornal do Campus da Universidade de São Paulo (USP), do qual tenho o prazer de ser ombudsman, fez uma reportagem muito bem sacada. Primeiro, um cálculo sobre quanto a Favela de Heliópolis pagaria anualmente de ICMS - calculado em cima da estrutura de consumo dela. Depois, estimou de quanto era o repasse para as universidades paulistas. A partir daí, calculou de quanto era a contribuição da Favela de Heliópolis para a manutenção da USP. E encerrou gloriosamente, levando moradores da favela para conhecer a “sua” USP. Poucas vezes li algo tão fortemente simbólico sobre o conceito de autonomia universitária e a enorme confusão que se formou, a partir da invasão da reitoria da USP por estudantes. Autonomia significa o poder de auto-gestão de uma organização. Mas exige uma contrapartida relevante, que é a prestação de contas para seus financiadores: não apenas os moradores de Heliópolis, mas todos os cidadãos paulistas. Nos anos 70 havia forte interferência governamental nas Universidades, com aposentadoria de professores, imposição de diretores. Nos anos 80 criou-se uma blindagem que colocou as universidades a salvo do poder político, mas acabou criando um conceito deturpado de democracia. Por tal, no campus, se passou a tratar o poder de dirigentes, às vezes de docentes, alunos e funcionários de definirem as políticas internas, sem dar nenhuma espécie de satisfação à sociedade. O primeiro ponto a se considerar é que a Universidade pode ser democrática, mas não uma democracia, que define o caminho que quer seguir. Ela é uma instituição com missão clara a cumprir. Como tal, seu compromisso é com o País, na forma de aprimoramento do ensino e da pesquisa. Quando se mencionam indicadores de produtividade, no entanto, o que se vê é uma pobreza geral. No máximo, número de teses e publicações em revistas especializadas; ou dados genéricos sobre aumento de matrículas. Não há informações detalhadas sobre planos de investimento e custeio. Pela própria leitura do Jornal do Campus dá para constatar ausência de planejamento e gestão. Os prédios são mal cuidados, não há manutenção adequada. Pior. As universidades têm autonomia financeira. Significa que o que se coloca em uma ponta se tira da outra. Há um claro conflito distributivo que, muitas vezes, colide com os objetivos finais da Universidade. Como esse conflito não é explicitado, acaba-se sempre buscando a saída externa: aumento nos repasses do ICMS, aumento nas verbas estaduais e assim por diante. A barafunda criada em torno dos decretos do governador, as supostas ameaças à autonomia universitária, não tem base no conteúdo dos decretos. As únicas coisas novas foram a criação de uma Secretaria de coordenação das Universidades e a obrigatoriedade de colocar diariamente no sistema os dados de despesa. É muito pouco para o alarde sobre a suposta “perda da autonomia” universitária. De prático, conseguiu que se abortasse um debate crucial sobre o papel das Universidades, a articulação das pesquisas e a prestação de contas para a sociedade. EMPREGO O mercado de trabalho na indústria registrou expansão pelo quarto mês consecutivo. Em abril, o saldo positivo na criação de vagas foi de 0,5% na comparação com o mês anterior. No acumulado do ano, a taxa chega a 1,4%. Segundo o IBGE, o resultado é uma resposta do mercado de trabalho ao ritmo mais aquecido da produção nos últimos meses. Na comparação com abril do ano passado, o emprego cresceu 1,7%. Em termos regionais, São Paulo (2,4%), a região Nordeste (2,3%) e Santa Catarina (2,7%) tiveram os maiores impactos na criação de vagas. Os setores que mais contrataram em São Paulo foram os de máquinas e equipamentos, refino de petróleo e produção de álcool e têxtil. O Rio Grande do Sul é o único Estado em que o fechamento de postos de trabalho supera a criação de vagas. O emprego no Estado recuou 1,3% afetado pelo desempenho de calçados e artigos de couro (-15,3%). O setor responde por 25% da oferta de emprego da indústria gaúcha. Sob o ponto de vista do tipo de atividade, o crescimento industrial está sendo impulsionado principalmente pelo setor de alimentos e bebidas (4,4%), produtos de metal (5,3%) e bens de capital (5,0%). PENHOR NA CEF A linha de penhor da Caixa Econômica Federal atingiu volume recorde em maio deste ano. No mês passado, foram realizados R$ 425,56 milhões em empréstimos por meio de penhor, com 750.091 contratos, o que representa uma expansão de 11,5% em relação ao valor médio de aplicação mensal verificado em 2006. Desde janeiro, segundo a CEF, foram emprestados R$ 2 bilhões em penhor, volume 12,3% superior ao de igual período do ano passado. Para 2007, a CEF informou que tem disponível recursos da ordem de R$ 6,5 bilhões para aplicação em penhor. Para realizar uma operação de penhor é preciso ter em mãos, além do bem - jóias, relógios de alta joalheria e canetas de elevada qualidade e valor - , documento de identidade, CPF e comprovante de residência. A CEF não exige avalista para o empréstimo, nem cadastro, já que a jóia é a garantia do crédito. Os prazos de contratação da operação são de 1 a 120 dias. O limite mínimo de empréstimo é de R$ 50 e o máximo de R$ 50 mil. O empréstimo corresponde a 80% do valor de avaliação do bem.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários