O bairro rural de Goianazes fica a 12 quilômetros de Capetinga (MG). Como o trajeto é feito todo em estrada de terra, o vilarejo parece mais longínquo. É um tal de sobe, desce, faz curva à direita, curva à esquerda, sobe de novo, desce outra vez, vira aqui, vira ali...até que, de repente, depois de mais uma curva, surge o povoado. Quem nunca esteve no local leva até um susto. A estrada de chão batido dá lugar a uma avenida larga e pavimentada. Nos primeiros metros, moitas de bambuzais, bananeiras e árvores altíssimas enfeitam a paisagem. Logo chegam as primeiras casas, a praça e a igreja.
O povoado de Goianazes está cravado ao pé da serra e tem pouco mais de 300 moradores que parecem mais uma grande família e que, como toda família, têm lá seus problemas. O principal deles é a falta de transporte. Para ir a Capetinga, é preciso conseguir carona ou se apertar junto com os estudantes no ônibus escolar. “Aqui já teve transporte, mas o pessoal não quis pagar os R$ 2 cobrados pela passagem, então foi cortado. Hoje a gente vive nessa luta de depender de carona”, disse a dona de casa Maria do Rosário, 54.
Outro alvo de reclamação por parte dos moradores é a falta de farmácia. Posto de saúde até tem, mas falta um estabelecimento que venda os remédios receitados. “Se não tem disponível no postinho, o jeito é comprar em Capetinga”, disse Ana Tereza Moreira, 56, responsável pela limpeza da praça e do cemitério público.
Os moradores também reclamam muito da falta de policiamento. “Aqui tem problema de droga e muita bebida alcoólica. Como a estrada até Capetinga é de terra, a polícia quase não vem e, mesmo quando isso acontece, acaba demorando muito por causa da estrada”, disse Ana Tereza.
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Como todos os outros, Goianazes é um bairro que tem seus problemas. O vilarejo, de 114 anos, só no ano passado ganhou asfalto. Das dez ruas, restam apenas três para concluir a obra. Em uma dessas ruas, está a residência da dona de casa Alvarina das Graças Furtado de Carvalho. “Não vejo a hora do asfalto chegar. Com a poeira, a casa nem pára limpa”.
No bairro, há ainda quatro mercadinhos. O que os moradores não encontram neles acabam comprando em Capetinga. E quando o comprador não vai até o vendedor é este que vai até o bairro. Uma vez por semana Cícero Andrade, 25, monta sua banca no meio da praça. Vende de tudo: roupas, sapatos, bolsas, toalhas, óculos de sol, entre outros. Os preços variam de R$ 3 a R$ 38. O pagamento tem que ser à vista.
Mas mesmo com todos os problemas, os moradores são unânimes em declarar seu amor a Goianazes. “Me mudei há 30 anos para cá e não pretendo ir embora. Aqui é muito bom”, disse o aposentado Marcílio Ferreira, 85.
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