13 anos. Um aborto. Um mistério


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A delegada Graciela Ambrósio, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), afirmou que há várias contradições nos depoimentos da menor e de sua madrinha. No destaque acima, comprimido que menor teria introduzido na va
A delegada Graciela Ambrósio, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), afirmou que há várias contradições nos depoimentos da menor e de sua madrinha. No destaque acima, comprimido que menor teria introduzido na va
Maria* tem apenas 13 anos. Ainda é uma “quase criança”, embora o corpo aparente ser de uma garota um pouco mais velha. É bonita e inteligente. Na madrugada de domingo, foi internada na Santa Casa com uma forte hemorragia. Ela estava grávida. Durante avaliação, uma médica encontrou no interior da vagina dela um comprimido identificado, a princípio, como Misoprostol, similar do Citotec (medicamento altamente abortivo). A polícia foi avisada e abriu um inquérito para apurar se o aborto foi provocado. Pela baixa idade e inexperiência, acredita-se que a menina tenha sido ajudada por algum adulto. A menor mora com a madrinha - uma professora de 60 anos - no Bairro Santa Rita. Há um ano e meio, namora um sapateiro de 23 anos. Sua família apoiava o romance e sabia de sua gravidez. O mesmo acontecia com a família do rapaz. Ele estaria dando toda a assistência à menor e aguardava com ansiedade a chegada do filho. “Eles estavam felizes. Meu irmão se comprometeu a casar com ela. Nunca ouvimos ninguém falar em aborto. Ele chegou a comprar até roupinhas para a criança”, disse a vendedora JPM, 29, irmã do sapateiro. Maria começou a sentir dores abdominais na sexta-feira, 6. Procurou ajuda da madrinha e foi medicada com Buscopam. Como o incômodo não passou, ela teria decidido se medicar de outra maneira. Em depoimento à polícia - repetido na entrevista gravada ao Comércio - a garota alega ter se dirigido ao armário onde são guardados os remédios. Pegou um comprimido e introduziu na vagina, sem a ajuda de ninguém. “Como o remédio via oral não fez efeito, eu resolvi colocar um outro que não sei o que é na vagina para ver se parava de doer”. Poucas horas depois, a estudante, grávida de dois meses, voltou a sentir dores. Pediu novamente a ajuda da madrinha, que tem sua guarda desde que nasceu. A mulher decidiu levá-la para a Santa Casa. Foi quando a médica constatou que a menor havia perdido o bebê. Ao encontrar o remédio abortivo, levou o caso ao conhecimento da polícia. A madrinha da estudante nega qualquer envolvimento com o aborto e alegou desconhecer o Citotec. “Não sabia desse remédio. Na gaveta, existem outros medicamentos. Ela me disse ter introduzido na vagina um comprimido de Buscopam. Minha mãe já tomou muitos remédios por problemas de úlcera, mas isso faz muito tempo. Eu desconheço esse comprimido que minha afilhada usou”. Para a delegada Graciela Ambrósio, não há dúvidas de que ocorreu um aborto. Ela disse ter notado contradições nos depoimentos da menor e da madrinha. O desafio é descobrir como adquiriram o medicamento e se tiveram a ajuda de outras pessoas. “Vamos aguardar o laudo para saber se o comprimido é realmente o Misoprostol. Nós já sabemos e temos convicção que ocorreu a prática abortiva. Vamos apurar toda a situação e tentar identificar os responsáveis”. * Nome fictício

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