Atendimento roubado


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Só se fala em qualidade no atendimento, o cliente em primeiro lugar, o cliente sempre tem razão, nos moldamos ao nosso cliente. Isso, pelo menos, é o que se propaga na mídia, na venda e na inocência que o povo ainda tem ao acreditar que uma empresa se preocupa única e exclusivamente com o bem-estar do cliente. Até parece! A empresa sempre se preocupa com o seu bem-estar financeiro, esquecendo que sem o cliente isso não é possível. Infelizmente, os serviços de telemarketing roubam a qualidade de um atendimento humano e sincero, obrigando-nos a engolir, ‘goela abaixo’, todo tipo de desculpa esfarrapada e mentirosa. Roubaram-nos as telefonistas, que humanamente ajudavam o consumidor a ter um contato direto com ‘quem de direito’, roubaram-nos os verdadeiros profissionais que estavam prontos a nos ajudar, roubaram-nos os diretores e gerentes de grandes empresas, banalizando as multinacionais e outras tantas que vieram dominar o nosso mercado com toda a porcaria que o mundo moderno nos oferece. Nesta terça-feira senti na pele como é difícil hoje em dia resolver um problema usando o 0800 de uma empresa. O tal serviço de reconhecimento de voz da CTBC foi o começo de uma agonia que durou bem mais de uma hora e o pior, não teve um desfecho feliz. A voz metálica me pedia para digitar o número do telefone para o qual eu pretendia pedir reparos. Mas eu não queria reparos, apenas trocar a tecnologia de meu velho celular. Mas como explicar isso para uma gravação? Fui em frente, seguindo as orientações, na esperança de conseguir um atendimento personalizado. Depois de alguns minutos de muito esforço e concentração, finalmente fui atendido pela Mariele. Assim ela se identificou. Perdi mais alguns minutos explicando o que eu queria, até que fui interrompido. Mariela me informava que eu havia sido encaminhado para o setor errado. Um outro funcionário da CTBC iria falar comigo. Sentia-me um imbecil, enquanto aguardava ser novamente atendido. Ouvia como recompensa pela minha paciência, uma música tétrica, que me transportava à Pensilvânia, terra do legendário Drácula. Cortando o som, que já me causava arrepios, Renato atendeu e me tirou dos pensamentos ruins, colocando-se à disposição para resolver o meu problema. Voltei a explicar o que queria a ele. Já tinha o texto decorado. Outra vez fui informado que seria transferido para outro setor. Estava de novo falando com a pessoa errada. Uma valsa de Strauss se fazia ouvir de fundo. Fiquei aguardando e ouvindo a seleção musical que parecia ter sido preparada para me acalmar. E com ela adormeci sem ser atendido. Como cidadão e consumidor, creio que os nossos direitos precisam ser respeitados, pois, de alguns anos para cá, estamos vendo a qualidade de serviços e produtos enganosos nos ludibriando, a toda hora. Atender de prontidão o cliente é mais econômico e, com certeza, lucrativo para a empresa. MARGINAIS OUSADOS A criatividade dos nossos marginais chega às alturas. Agora, estão enviando pelo correio uma carta com papel timbrado da NET, TVA, SKY, Directv ou outro qualquer canal de TV por assinatura. Na carta, que por sinal é muito bem elaborada, dizem que estão modernizando a sua tecnologia e que será necessária a substituição de equipamento dentro da casa do assinante. Eles colocam o número de telefone (de um comparsa) para o agendamento. Se a pessoa desconhece o golpe e não telefona para o verdadeiro número da operadora de TV, para confirmar se isto procede, os marginais praticam o assalto em sua residência, com hora marcada e com você abrindo a porta e servindo um cafezinho. Viram aonde chegou a ousadia dos bandidos? As próprias vítimas marcam o dia em que sua residência vai ser assaltada! ESPORTE OLÍMPICO Uma forma de tornar difícil o livre caminhar das pessoas acabou criando um esporte em Franca, que virou uma verdadeira mania, a caminhada com obstáculos, cuja modalidade ‘cuidado com a caçamba!’ é forte candidata a entrar para as próximas olimpíadas. Bem que tentam acabar com esses esportes, mas não conseguem. É só descuidar um pouco e aparece uma caçamba na calçada, um obstáculo, um buraco, entulho e sabe-se lá o que mais. Dificultar deslocamentos é uma arte para poucos. Os administradores de Franca perceberam que outra maneira eficiente de atrapalhar é descuidar da iluminação pública. Ruas e praças escuras são uma beleza para afastar pedestres à noite. Até ouso propor que, em nome do meio ambiente, as luzes da cidade sejam apagadas por volta de meia-oite, tal o estado de abandono em que ficam certos lugares da cidade, com exceção daqueles por onde andam marginais, prostitutas, travestis, guardas-noturnos e os boêmios. Esses não desapareceram de Franca, mas também não precisam de muita luz. HOMEM DE VALOR Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados. Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta. Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Com isso, o juiz perdeu a liberdade. Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País. Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12832 hectares, 3 mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas.

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