Os empresários ‘incompetentes’


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No festival de clichês que sacode a economia, não há ignorância (ou má-fé) maior do que a história de que apenas as empresas ineficientes são prejudicadas pelo câmbio, e que bastaria inovação e modernização para compensar a valorização da moeda. É de um desconhecimento absoluto sobre o mundo real, sobre o processo de conquista de ganhos de produtividade. É falta de sensibilidade para números básicos, de noção de senso de proporção. Ontem, o jornal O Valor mostrou uma reportagem de Sérgio Léo, direto da Índia. A Índia tem a mais poderosa indústria de TI (Tecnologia da Informação) entre as potências emergentes. É uma indústria que exporta bilhões de dólares por ano. A rúpia se valorizou 8% no ano (ínfimo, perto da valorização do real nos últimos três anos) e os indianos passaram a se sentir ameaçados. Isso porque, na competição internacional, as margens das empresas são mínimas, dado o grau de disputa. Se um dos fenômenos mais reluzentes dos países emergentes - a indústria de TI na Índia - não está conseguindo segurar as pontas com uma valorização cambial próxima dos 10%, como esses cabeções insistem nessa tese tresloucada de que será possível a uma empresa brasileira pequena, exportadora, que enfrenta um ambiente econômico perverso, ter fôlego para compensar valorizações do real que chegaram a 20% nos últimos anos? Não apenas isso. Nesse período as empresas ainda tiveram que conviver com o aumento estrondoso do Pis-Cofins, com custos trabalhistas elevados, com falta de infra-estrutura. Quem são as sobreviventes? De um lado, um amplo espectro de empresas que passaram a ampliar o percentual de componentes importados. Sobreviveram, mas à custa de abrir mão de qualquer veleidade de desenvolvimento tecnológico autônomo, de melhoria na estrutura de mão-de-obra e no próprio emprego. É evidente que, quanto maior o percentual de componentes importados, menor a necessidade de pesquisas, de engenheiros, de empregados nas diversas linhas. A cadeia produtiva do setor também será empobrecida, com pequenos fornecedores sendo substituídos por produtos importados. Na outra ponta, as empresas campeãs, aquelas que conseguiram grandes saltos de produtividade, capazes de compensar a valorização do real, o aumento dos tributos. Qual o futuro dessa empresa, se teve ganhos de produtividade de 20% no período? Em qualquer outro país do mundo seria uma campeã certa a conquistar o mercado externo. Com esse câmbio, no plano externo esse esforço todo será suficiente para a empresa não sair do lugar: não morre, mas também não cresce. No plano interno, a empresa terá como concorrente, além dos produtos importados, empresas nacionais que decidiram se transformar em meras “maquiadoras”. Ou seja, esse modelo cambial mata todo o estímulo e competitividade das empresas efetivamente inovadoras. Quando se desce para o espectro das empresas menores, a situação é pior. A idéia de que os fracos têm que morrer é uma estultice. Empresas são ativos de um país. Se não devem ser super-protegidas, menos ainda devem ser expostas a uma luta desigual. PETROBRAS A Petrobras Energía, divisão da estatal brasileira na Argentina, informou ontem que não faltará óleo diesel nos postos abastecidos pela rede no país vizinho. A nota da empresa foi divulgada depois de o governo argentino ter informado anteontem que aplicará multa contra a empresa pela falta de abastecimento dos postos de suas redes. A companhia informou ainda que cumprirá os compromissos adotados com clientes e com o governo de garantir o fornecimento de diesel. Segundo o diário argentino Clarín, a Secretaria de Comércio Interior da Argentina disse que já está em curso o processo de aplicação de multas e que, em uma semana, deve ser divulgado o valor da multa pelos “descumprimentos à Lei de Abastecimento”. A Secretaria informou que cada sanção pode chegar a 1 milhão de pesos (R$ 630 mil). INADIMPLÊNCIA A inadimplência dos consumidores caiu 7,5% em maio deste ano, na comparação com maio de 2006, revela o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Física divulgado ontem. Essa queda puxou o recuo de 1,4% na inadimplência das pessoas físicas nos primeiros cinco meses de 2007 contra o mesmo período do ano passado. Um dos motivos apontados para a queda foi o aumento no nível de emprego. As dívidas com bancos representam a maior parte da inadimplência registrada pela Serasa - tiveram uma participação de 37,5% no indicador nos cinco primeiros meses deste ano. Em seguida, aparecem as dívidas com cartões de crédito e financeiras, com uma participação de 31,2% na inadimplência dos consumidores no acumulado de janeiro a maio. Os cheques sem fundos apareceram em terceiro lugar, com uma representatividade de 28,6% no acumulado de 2007. Os protestos registram o menor peso na inadimplência das pessoas físicas, com uma participação de 2,7% até maio. Em relação ao valor médio das dívidas nos cinco primeiros meses de 2007, o número ficou em R$ 1.280,13 para os bancos. As dívidas com cartões de crédito e financeiras registraram valor médio de R$ 341,34. O valor médio dos cheques sem fundos foi de R$ 605,85 e os registros de títulos protestados, no mesmo período, ficaram em R$ 830,19.

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