Moradores se orgulham do pequeno vilarejo


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VISTA DO ALTO - Para ver todo o bairro da Lage, basta subir em uma colina que leva à antiga pista do aeroporto construído pela Usina de Peixoto
VISTA DO ALTO - Para ver todo o bairro da Lage, basta subir em uma colina que leva à antiga pista do aeroporto construído pela Usina de Peixoto
Quando o aposentado Elísio Gomes, 86, chegou ao bairro da Lage, distrito de Ibiraci (MG), há 57 anos, não havia praticamente nada. Ainda era possível contar as casas em poucos segundos. Eram apenas oito. As ruas de chão batido não tinham luz nem água encanada. Hoje a vida dos moradores é bem diferente. O povoado, que nasceu na década de 70, melhorou muito. Pelo menos é o que diz Elísio. “Nossa, aqui está muito bom. Não quero ir embora de jeito nenhum. Para mim, o melhor lugar do mundo é a Lage”, disse o aposentado, que mora sozinho nos fundos de uma casa. O lugar preferido de Elísio é a pracinha do centro da Lage. Lá, ele passa horas jogando conversa fora. Quem também não troca o povoado por nada é a dona de casa Jerônima Rosa de Faria, 60. Ela se instalou na Lage há 20 anos com os dois filhos que hoje trabalham em fazendas e na Usina Mascarenhas de Moraes. “Aqui é bem sossegado e todas as minhas amigas estão aqui. Não quero mudar de vida”. Jerônima só sai do bairro quando precisa de atendimento médico especializado ou para fazer compras em supermercados de Ibiraci, já que os mercados do vilarejo nem sempre têm todos os produtos. O lavrador Miguel Luís da Silva, 63, sempre trabalhou em fazendas, mas prefere morar em Lage. “Gosto do clima daqui. Tem um jeito de roça, aqui não vivemos presos atrás de grades. Eu adoro cada coisa desse lugar”, afirmou Luís, que, apesar do sossego do vilarejo, é precavido e prefere trancar as portas da casa quando sai para a rua ou para o trabalho. “É melhor prevenir, né? Para depois não chorar”. [FOTO2] Quando não está trabalhando, Miguel adora ficar sentado na praça jogando conversa fora ou jogando truco no bar da esquina. Entre seus companheiros de jogo, está o aposentado José Alves de Andrade, 76. Ele, que sempre morou na roça, mudou há um ano para o povoado. “Fiquei viúvo e estava me sentindo muito sozinho, então vim morar com minha filha e estou gostando muito”. Também perto da praça moram as irmãs Tereza Cândido Ferreira, 53, e Aparecida Cândido Ferreira, 62. Para as duas, a única coisa que incomoda na Lage é o barulho de som alto. “Tem gente que vem para cá nos fins de semana e coloca música muito alta. É muito ruim e uma falta de respeito. Como não tem polícia aqui, o jeito é ficar ouvindo. Mas tirando isso, a vida aqui é bem tranqüila”, afirmou Tereza, que há dez anos mora no bairro.

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