A vida na Lage


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o aposentado Elísio Gomes que não desgruda do seu chapéu na hora de passear pelo bairro à procura dos amigos
o aposentado Elísio Gomes que não desgruda do seu chapéu na hora de passear pelo bairro à procura dos amigos
Para muitos, Lage é apenas um bairro que está localizado na estrada que leva aos ranchos da região da Usina “Mascarenhas de Moraes”. Não é bem assim. Apesar de pequeno, o vilarejo é bem estruturado e uma paixão para a maioria dos moradores que não pensa em sair de lá. A 18 quilômetros de Ibiraci (MG), o bairro surgiu na década de 70 quando antigos funcionários da usina começaram a construir suas casas naquele local. Hoje poucos trabalham no vilarejo, a maior parte tem emprego nas fazendas ou em ranchos. Com mais de 500 moradores, o bairro tem seis ruas. Todas asfaltadas. Tem ainda escola, posto de saúde, de gasolina, dois mercados e transporte de graça até Ibiraci. Os moradores,que já sofreram muito com a falta de água, hoje contam com fornecimento ininterrupto e rede de abastecimento instalada. “Hoje a vida aqui é muito boa. Quando eu mudei para cá, não tinha nem luz e a gente tinha que usar lamparina. Também não sofremos mais com o poeirão. Eu não quero ir embora da Lage não”, disse aposentado Elísio Gomes, 86 anos e há 57 anos morador do bairro. Além disso, a prefeitura está construindo um reservatório com capacidade para 140 mil litros de água. A obra está orçada em R$ 300 mil. “Foi uma luta para a gente conseguir. Foi necessário passarem quatro prefeitos para finalmente sermos atendidos”, disse o presidente da Sociedade Amigos da Lage, José Jorge, 71. Ele gosta tanto do bairro que criou até um jornalzinho para divulgar as notícias da Lage. Ele também administrou a Rádio Rural da Lage, que funcionava precariamente em uma garagem. A rádio foi desativada há seis meses para tristeza dos moradores. “Convidei um trio do Paraná para cantar aqui e passei muita vergonha porque não tinha nem banheiro para eles se arrumarem e ainda tiveram que cantar na praça. A vergonha foi grande, achei melhor dar um tempo”, disse. Outra conquista dos moradores foi a pavimentação da estrada de 18 quilômetros que liga o bairro a Ibiraci. O asfalto só chegou recentemente a partir de uma parceria entre a prefeitura e Furnas Centrais Elétricas, que administra a Mascarenhas de Moraes. Para o presidente da Sociedade Amigos da Lage, asfalto é bom, mas também trouxe pontos negativos. “A agência do Banespa que funciona na Usina já foi assaltada duas vezes. Antes do asfalto, não tinha isso. Agora ficou mais fácil para os ladrões fugirem. Mas é claro, que por outro lado, facilita o acesso até a cidade”. O telefone fixo em casa chegou no ano passado. Até então, os moradores contavam apenas com quatro orelhões, que nem sempre estavam funcionando.

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