Investir em educação para tenra idade


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Um artigo do médico Dráuzio Varella intitulado “Raízes Biológicas da Violência”, afirma que se alguém tapasse durante um mês o olho de uma criança recém-nascida, aquele olho jamais teria visão. Ou seja, a falta de estímulos luminosos naquele estágio de vida impede que os neurônios formem conexões indispensáveis para a visão. Essa é a imagem que melhor ilustra o fato, hoje inquestionável de que a fase dos 0 aos 3 anos é decisiva para o futuro de um indivíduo e interfere, no mínimo, na sua capacidade de aprendizado e por tabela, na sua produtividade profissional. Por extensão, se a criança precisa da luz para formar a visão, precisa também de brincadeiras, jogos educativos, histórias infantis, atividades lúdicas. Sem isso vai carregar para sempre uma ‘deficiência visual’, mesmo que os olhos funcionem perfeitamente. A cadeia de ignorância no Brasil começa literalmente no berço, e só a ignorância política explica por que a educação infantil não está no topo da agenda nacional. Ainda existe a noção absurda de que as crianças dessa faixa etária requerem apenas cuidados com higiene. A realidade é dura, e pouca criança é atendida na educação infantil, menos ainda nas creches. É o tal olho tapado. Não é preciso ter uma mente brilhante para perceber que a miséria e a desigualdade social se reproduzem na oportunidade que alguém, ao nascer, tem ou não de ‘ver novas perspectivas’.Não adianta investir apenas lá na frente, mas deveria sim concentrar-se investimento maior nos anos iniciais (0 a 3 anos). Se isso fosse reconhecido pelos políticos os frutos brotariam no ensino fundamental e médio. Ana Célia de Freitas é educadora

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