Os vereadores, ontem, pareciam jogadores de futebol decidindo o jogo final no estádio do adversário, sob pressão o tempo todo. Nem pareciam estar “em casa”. A cada pronunciamento contrário ao contrato, vinham vaias e reclamações da arquibancada (ou plenário), que estava lotada pelos funcionários da Sabesp. Fora de campo, quem atuava era o chefe de Gabinete José Paschoal Ribeiro, que explicava a todos as regras do jogo, ditadas pelo prefeito Sidnei Rocha.
Até mesmo quem deveria acompanhar a partida de fora do gramado influenciou no resultado. Mambrini, por exemplo, que é sargento reformado (aposentado) da Polícia Militar, foi procurado por alguns oficiaisda ativa durante a sessão. Eles teriam, a pedido do Gabinete do prefeito, orientado que ele votasse favorável ao contrato. Mambrini negou, mas partidários de Rocha confirmaram a pressão.
Assim, no final da partida, o resultado não poderia ser diferente. De goleada, por dez a quatro, a Prefeitura e a Sabesp saíram vitoriosas. Houve, ainda, um gol anulado, ou uma ausência no plenário, do presidente Joaquim Ribeiro, que pediu para sair de campo mais cedo.
TAPETÃO
Como algumas decisões de campeonato, os derrotados podem apelar para a Justiça. O vereador Gilson Pelizaro (PT) pretende recorrer ao Ministério Público para pedir a anulação da votação de ontem.
O motivo seria a participação de Rui Engrácia (PSDB) no resultado. “O regimento impede, no artigo 47, que um vereador vote em projetos que contenham interesse pessoal. Oras, o Rui é gerente da Sabesp. Será que ele não tinha nenhum interesse nisso?”, questionou.
Engrácia disse que não há nada disso e que votou “no interesse da população”, mas seu panfleto de campanha, de 2004, trazia como uma de suas principais propostas a prioridade para o mandato a renovação do contrato entre a Sabesp e a Prefeitura.
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