A costureira Cleusa Pinto Dantas, 55, moradora do Jardim Aeroporto III, está cansada de reclamar. Para ela, que está viúva há três anos e procura um novo companheiro, achar o homem ideal em Franca já se tornou uma missão impossível. Cleusa nem tem tantas exigências, quer apenas um marido acima de 60 anos, mas depois de ter procurado até mesmo em emissoras de rádios chegou à conclusão de que “homem é produto em extinção” na cidade. A impressão dela não está errada. Um levantamento divulgado pelo Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) na semana passada mostra que, em Franca, há uma predominância do sexo feminino. São 3597 mulheres “sobrando”, a maior parte delas acima dos 50 anos. “Há um ano, procuro encontrar alguém, mas é muito difícil.
Faltam homens mais velhos”, diz Cleusa.
O motivo, segundo o estudo, é que as mulheres têm uma expectativa de vida maior. Tanto é que, na população a partir dos 75 anos de idade, o número de mulheres a mais é bem superior que em todas as outras faixas etárias, a partir dos 30 anos. Há nessa etapa, 3276 “vovós” contra 2810 “vovôs”, ou seja, 15% mais. A realidade de Franca não é única e se repete no Estado de São Paulo, onde a diferença entre homens e mulheres nesta faixa etária chega a 50%.
A única faixa em que o sexo masculino predomina quantitativamente sobre o feminino é no grupo de crianças, adolescentes e jovens entre zero a 29 anos. Em todas as demais, porém, existem mais mulheres do que homens.
Para a médica geriatra Ana Maria Bruxelas, os homens são mais sujeitos a acidentes no trabalho e no trânsito e não cuidam da saúde como deveriam, por isso morrem mais cedo. “Os homens têm maior índice de mortalidade em todas as faixas etárias, por estarem mais expostos a riscos. Em se tratando de violência, álcool, tabagismo e acidentes de trânsito, eles morrem mais do que as mulheres”.
As seguradoras já perceberam que os homens morrem antes e, por isso, começaram a rever os preços de seguro de vida e de automóvel vendidos aos jovens. “As seguradoras têm se precavido.
Muitas apresentam uma diferença considerável no preço de seguros para homens”, disse Fábio Borges Carrijo, corretor de seguros.
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