Matriculado há pouco mais de um ano na escola, Vinícius Lemes Araújo, 5, comemora as novidades que aprendeu neste período. O garoto sabe ler e escrever desde os 2 anos e meio de idade e é considerado por especialistas uma criança com altas habilidades.
Até o ano passado, os estímulos para desenvolvê-las eram feitos apenas em casa, por seus pais, o artista plástico Élcio Araújo e a economista Maria das Graças Araújo. Em 15 de maio de 2006, a história começou a mudar. Após reportagem do Comércio, a criança ganhou bolsa de estudos integral. No dia 15 de maio, completou um ano que está matriculada no Colégio Jesus Maria José, em Franca. A família comemora os avanços de Vinícius.
Para a mãe, a oportunidade de freqüentar a escola é importante para desenvolver os potenciais do filho. “O Vinícius está superfeliz. Está bem mais estimulado do que se ficasse apenas em casa e aprendeu coisas novas. Continuamos nos impressionando com as coisas que faz”, disse Maria das Graças.
A criança escrevia apenas com letras de forma, agora sabe a cursiva e decorou todas as capitais do Brasil e de outros países, como EUA e Venezuela. A ligação com o exterior não fica apenas relacionada a Washington e Caracas. Na escola, passou a ter contato com o inglês e agora está interessado no idioma. “Quando lemos no jornal alguma palavra estrangeira que ele não sabe o significado, corre para consultar o dicionário inglês-português”, disse a mãe.
O garoto também consegue ler numerais com quatro casas decimais. Quando anda pela rua, costuma falar o número das casas: 1232, 4553... Há cerca de quatro meses, aprendeu a fazer palavras cruzadas. “Quando ele não sabe, pede minha ajuda. Mas ele tem ampla noção. Esses dias, preenchemos uma cruzadinha com a palavra pára-raios e ele logo me avisou: ‘mamãe, essa aqui tem um tracinho (hífen) no meio’”.
Vinícius estuda no período da tarde e fica no colégio das 13 horas às 17h35. Em sala de aula, costuma ser cotado pelos colegas para ler histórias. “A escola é legal. Gosto mais da aula de matemática no computador e de jogar futebol”, disse o garoto. Em casa, a ligação com a escrita e números também é forte. Além de gostar de brincar de bola, preenche seu tempo copiando textos num caderno, com brincadeiras de forca no computador, caça-palavras ou decorarando informações vindas em seus brinquedos. “Ele tem um jogo com 32 cartas que traz informações sobre animais, como altura e instinto e ele decorou informação de todos eles”.
GÊNIO?
Em 2006, a reportagem do jornal havia visitado Vinícius acompanhada da pedagoga Gislaine Cristina Silva, que, após aplicar alguns testes, constatou que a criança apresentava habilidades avançadas para a idade dele. Na ocasião, a pedagoga especializada em deficiências da rede estadual de ensino, Maria Lúcia da Silva, que conhecia o caso de Vinícius, disse que ele tinha 4 anos de idade, mas 7 intelectualmente.
O desejo dos pais é fazer um teste de QI (Quociente de Inteligência) com o filho para confirmar seus potenciais e saber se ele é superdotado, mas alegam não ter condições financeiras para a viagem. “Consegui uma vaga na USP de Ribeirão Preto, mas como não tinha dinheiro para as passagens, não pude levá-lo. Vamos ter de aguardar mais um pouco”, disse Maria das Graças.
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