Novos aterros: taxa de descarte sobe 75%


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O empresário José Luiz Alvarenga - entre as caçambas de sua empresa, reclama: taxa para descarte de materiais subiu 75% e tem causado prejuízos
O empresário José Luiz Alvarenga - entre as caçambas de sua empresa, reclama: taxa para descarte de materiais subiu 75% e tem causado prejuízos
Alugar caçambas para depositar montes de tijolos, telhas quebradas e restos de construção está mais caro em Franca. A taxa para descarte dos entulhos nos aterros subiu de R$ 4 o metro cúbico para R$ 7 ao prestador do serviço, que sem outra solução repassou parte do aumento de 75% para os clientes. Antes, o aluguel médio de uma caçamba grande custava R$ 90 por até 15 dias; com a alta, foi para R$ 105, um acréscimo de 16%. Os preços reajustados começaram a ser praticados na segunda-feira e já causam revolta entre os caçambeiros da cidade e o público final. Em Franca, há aproximadamente 15 empresas de aluguel de caçambas. José Luiz Gomes Alvarenga, proprietário de uma delas, disse que o aumento ocorreu devido ao início do funcionamento dos novos - e particulares - aterros de materiais inertes nas Vilas Hípica e Raycos. Anteriormente, a área no Aeroporto III era pública e administrada pela Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). Com o fim da capacidade de armazenamento, dois novos aterros começaram a funcionar, porém ambos são privados e apresentaram preços diferenciados para o uso do espaço. “Precisamos de um preço mais acessível. Fomos pego de surpresa e não tenho como cobrar a mais das caçambas que estão alugadas. De início, contabilizo um prejuízo de mais de R$ 1.500”. Para o secretário de Serviços Municipais e Meio Ambiente, Ismar Tavares, o processo é legal e a Prefeitura não tem como agir para a prática de um preço mais razoável. “Precisamos aguardar a posição do Ministério Público. Os aterros são particulares e o município não tem uma área compatível para receber 150 metros cúbicos de resíduos por dia. Teríamos que tomar uma medida somente se não houvesse um novo aterro”. Segundo Agnaldo José Cintra, proprietário de outra empresa de caçambas, a população não tem condições de bancar o aumento e, conseqüentemente, começará a fazer o descarte de materiais de modo clandestino. “A nossa preocupação é de que caia o número de aluguéis de caçambas”. Na Promotoria do Meio Ambiente, o promotor Fernando de Andrade Martins acredita que o preço proposto não inviabiliza o descarte dos materiais nos aterros e propôs aos operadores das novas áreas a apresentação uma planilha de custos. “Meio Ambiente é algo sério e manter um aterro não é tarefa fácil. O antigo não visava lucro, pois era mantido pela Prefeitura, mas sempre teve um custo operacional. São engenheiros, o projeto técnico, a mão-de-obra, o trabalho de drenagem, de nivelamento. Tudo isso, acarreta despesa e não é proibido licenciar aterros”, disse. De acordo com o promotor, não é seu dever discutir preço e sim o processo de descarte dos resíduos. “Se alguém for pego ao descarregar lixo em local clandestino, a multa é em média de R$ 3 mil. O custo será bem maior e a pessoa ainda estará cometendo um crime”.

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