A busca do desenvolvimento


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Aos poucos, lentamente, dolorosamente, o País vai se dando conta das questões essenciais para o desenvolvimento. Esses últimos anos foram desanimadoramente estéreis. Uma nação inteira foi amarrada a um modelo de liberalização financeira terrível. Numa ponta, colocou a salvo da Receita todo grande capital nacional. Na outra, abriu o flanco para a livre entrada e saída de dólares, tornando a política monetária refém dos humores do mercado internacional. Hoje em dia, as decisões de investimentos são comandadas por Armínio Fraga, Gustavo Franco, Luiz Fernando Figueiredo, André Lara Rezende, justamente os analistas que moldaram esse modelo. Desde sempre, tinham em mente criar o campo mais adequado para um setor do qual eles seriam atores principais, depois que saíssem do governo. É isso que explica a ênfase em transformar o País em “investment grade” - em país livre de riscos. É bom para o País? Não necessariamente. Significará mais dólares entrando, apreciando o Real, sufocando a indústria interna. Para eles, é o céu, porque aumenta de forma estupenda a oferta de recursos lá fora, turbina seus negócios, seus fundos de investimento, e a uma taxa menor. Nesses anos todos, os argumentos em favor desse modelo foram manipulados de forma grosseira pela mídia. Em cada ato de política econômica é possível encontrar pontos positivos e pontos negativos. O bom analista tenta somar as duas partes e tirar a resultante: se ajuda ou não no desenvolvimento. A retórica desses analistas consistia apenas ou em apresentar só os benefícios, sem explicitar os custos; ou então em criar uma fantasia vaga sobre o paraíso que seria alcançado quando o País se tornasse “investment grade”. Dentro desse quadro, o que é relevante? No meu livro Os Cabeças de Planilha critico o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e seu seguidor, Luiz Ignácio Lula da Silva, por não terem percebido os grandes fatores portadores de futuro, aqueles itens que realmente contam na construção de um país. Não é necessário ser nenhum gênio para intuir sobre isso. Tudo o que permite trazer indústrias, tecnologia, inovação, tudo o que abre mercado e facilita a produção interna é bom para o País. Ponto. Quando houve a crise da Coréia, muitos previram que o milagre coreano havia acabado. Não acabou por uma razão simples: o país conservou empresas fortes, tecnologia aprimorada, conhecimento, educação e visão estratégica clara, permitindo unir todos em torno de um projeto de reconstrução. Em geral, esses jogos de poder recorrem muito a ideologias sem pé na realidade. O importante é o foco no resultado final. Em determinados períodos, é necessário abrir a economia para se atingir esses fins. Em outros períodos, talvez seja necessário uma defesa das empresas locais. Ponto central é alicerçar essa produção em fatores internos, através da inclusão social, da educação, dos investimentos em inovação, das modernas formas de gestão. O País sairá desse atoleiro quando aprender a colocar os fins acima dos meios INDÚSTRIA Dez das 14 áreas pesquisadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram queda na produção industrial de abril em relação a março na série livre de influências sazonais. Todos os dez recuos foram mais intensos do que a média nacional (-0,1%). As maiores quedas ocorreram em Goiás (-4%) e Espírito Santo (-3%). As melhores taxas foram as de Rio Grande do Sul (2,9%) e Rio de Janeiro (0,8%). Em São Paulo, houve alta de apenas 0,1%. Segundo André Macedo, economista da Coordenação de Indústria do IBGE, a predominância de resultados negativos não configura uma “inversão de trajetória da indústria”, que mantém forte tendência de crescimento. Prova disso é o resultado acumulado do ano, diz. Das 14 áreas, 11 tiveram crescimento. As altas mais expressivas ficaram com Paraná (9,3%) e Rio Grande do Sul (9,0%), sustentados pelo dinamismo do setor agrícola. Três locais tiveram queda: Bahia (-0,2%), Amazonas (-1,0%) e Ceará (-2,4%). Para Macedo, a valorização do real continua sendo um entrave à expansão da produção industrial, prejudicando ramos como eletrônicos, calçados e madeira. AJUDA SETORIAL O governo federal estuda oferecer linhas de crédito com taxas de juros mais baixa para os setores que são afetados pela valorização do real frente ao dólar. A informação é do ministro Guido Mantega (Fazenda), que deverá anunciar até o final da semana medidas de desoneração para segmentos mais prejudicados. “Estamos estudando medidas para poder compensar alguns setores que tenham problemas com a valorização do real na esfera tributária e na esfera financeira. Acredito que ainda nessa semana podemos anunciar essas medidas”, afirmou o ministro. Segundo ele, o crédito que será oferecido terá taxas de juros mais baixas e condições mais favoráveis para esses setores e será concedido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O Tesouro Nacional também terá uma participação nesse modelo por meio da equalização das taxas. O ministro não citou quais os setores serão beneficiados por essas linhas de crédito e por medidas de desoneração, mas os mais afetados pela baixa cotação do dólar são os voltados para exportações.

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