As ocorrências de focos de queimadas em terrenos na cidade cresceram dez vezes nos dois últimos meses. Em abril, os bombeiros recebiam entre 2, 3 chamados para controlar chamas por dia. Hoje eles chegam a registrar até 30 reclamações por dia, uma média de 600 por mês. O problema está espalhado pela cidade. “As pessoas querem aproveitar que o mato está seco e, para limpar o terreno, queimam tudo”, disse o soldado Henrique Silva, do Corpo de Bombeiros da cidade.
A fumaça provocada pelo fogo agrava problemas respiratórios, causa ardência nos olhos, irritação no nariz, enche as casas de sujeira, além de atrapalhar a visibilidade dos motoristas. “É muito prejudicial”, disse o soldado.
A pespontadeira Cleide Marques, 31, que mora no Residencial Dourados, conviveu durante três dias seguidos com as fuligens e cheiro forte do fogo ateado nos lotes vagos ao redor de sua residência. “No feriado (de Corpus Christi), foi a conta de encher os varais de roupas e a fumaceira invadir meu quintal. Tive de tirar tudo correndo para não sujar. Sem contar minha mãe que tem 65 anos e sofre de problemas respiratórios. Ela ficou toda sufocada depois do fogo”.
Para amenizar o desconforto, ela, o marido e o casal de filhos mantêm a casa inteira fechada. Na sexta-feira, 8, precisaram “lacrar” as janelas às pressas para evitar que o cheiro entrasse. O terreno próximo a Rua Edelvásia Salerno Vilhena, onde moram, ficou tomado pelas chamas. “É um horror.
Isso deveria ser proibido. Além do cheiro ruim e problemas de saúde, ainda temos de conviver com invasão de ratos e baratas que fogem da queimada e invadem as casas”, disse Cleide.
Um extenso terreno na Rua Mário Nalini Júnior, na Chácara Santo Antônio, foi outro alvo das queimadas na tarde de sexta-feira. “Já cansamos de viver com fuligens em casa. Suja bastante”, disse a dona de casa Valdete de Oliveira, 32.
Só na manhã da última sexta-feira, os bombeiros receberam sete chamados para conter focos de incêndio. Nem todas as ocorrências são atendidas. Sem viaturas suficientes, tem prioridade a contenção de queimadas próximas a locais de maior concentração de pessoas, como escolas e hospitais e reservas ambientais. “Não temos condições de checar e apagar todos os focos de incêndio.
Priorizamos os lugares que afetarão mais vítimas”, disse Henrique Silva.
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