Franca aparece em 14º lugar no Estado de São Paulo no ranking de municípios com denúncias sobre violência e exploração de crianças. Quando o tema específico é o abuso sexual infanto-juvenil, a cidade está entre as 11 mais violentas. A estatística leva em consideração os casos informados ao Disque-Denúncia do governo federal entre 2003 e 15 de maio de 2007.
Segundo a SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos), o serviço recebeu 33 denúncias de violência contra crianças oriundas de Franca no período. Dez delas se referem a situações de abuso sexual. Nesse quesito, a cidade de Bauru é a segunda no Estado, atrás apenas de São Paulo.
Se à primeira vista Franca e Bauru deveriam se envergonhar por ocuparem posições nada hon-rosas nesse ranking, quem acompanha o tema de perto informa que a subnotificação e a cultura do silêncio - seja pelo medo de fazer denúncias ou pelo descaso da sociedade - escondem a real situação de cada município perante o problema. “É inegável que a violência infanto-juvenil em Franca preocupa e deve ser combatida, mas isso não significa, necessariamente, que a situação aqui é mais alarmante que em outros locais. Temos incentivado as denúncias e é natural que elas aumentem. É preciso saber se outras cidades fazem o mesmo”, disse Lucas Verzola, responsável pelo setor de comunicação do Conselho Tutelar.
Por esse raciocínio, Franca e Bauru aparecem com destaque no ranking porque denunciaram mais. E as outras cidades é que precisam divulgar mais o serviço.
Nos três primeiros meses desse ano, o Conselho Tutelar de Franca recebeu 739 denúncias de violência. Em média, são oito casos por dia. “Acredito que o número possa ser maior. Muitas ocorrências não chegam ao nosso conhecimento. Os casos de maus tratos são os mais comuns. A questão do abuso sexual também preocupa. O pior, é saber que a maior parte das situações ocorre dentro da própria casa da vítima e, nem sempre, são denunciadas”, completa Lucas.
Os número do Conselho Tutelar e do Disque-Denúncias não são iguais, pois cada órgão trabalha em cima apenas dos casos por eles recebidos.
Uma ocorrência registrada em Franca, no dia 23 de janeiro, exemplifica com fidelidade o problema apontado pelas estatísticas da Secretaria Especial de Direitos Humanos: uma menina franzina de apenas 12 anos foi violentada pelo padrasto durante toda a noite dentro de casa. Valdeci Rocha de Moraes, 38, confessou o crime e disse que pagaria R$ 500 à mãe da vítima por uma noite de sexo com ela. Preso em flagrante, ele permanece na cadeia.
O Estado de São Paulo é o primeiro do ranking nacional em números absolutos de registros no Disque-Denúncia, mas o último quando se faz a proporção pela população. No Brasil, foram mais de 1 milhão de ligações desde 2003 - 38% eram trotes. O Disque-Denúncia (número 100) funciona todos os dias, das 8 às 22 horas.
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