A coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Cristina Albuquerque, diz que o aumento das denúncias significa que número está mais conhecido e que sociedade pode estar acordando para o tema. Para ela, o baixo número de denúncias registradas no Estado de São Paulo (proporcionalmente à população) indica a necessidade de maior divulgação do Disque-Denúncia.
Nesse sentido, casos como o de Osasco (2ª no ranking geral) Bauru (5ª) e Franca (14ª) podem até ser encarados como positivos. “O fato de haver mais denúncias significa que há mais sensibilização em relação ao tema”. Segundo a especialista, esses casos de violência sexual são protegidos pelo que ela chama de pacto do silêncio. “Se estão aparecendo, é porque pessoas estão tomando uma atitude. É bom pelo aspecto do desvelamento do problema”.
Segundo ela, a tendência em termos de política pública é que apareçam mais os casos. O Distrito Federal, por exemplo, é o Estado com maior número relativo de denúncias, mas em boa parte por conta da divulgação do Disque Denúncia - e de uma suposta conscientização de seus habitantes. “O caso do Maranhão é ilustrativo”, conta Cristina. “A gente viu que o Estado aparecia em segundo lugar e descobriu que o governo do Estado tem uma portaria obrigando todo cartaz a divulgar o número do Disque-Denúncia”.
A coordenadora diz que é preciso promover uma ação mais objetiva e forte com relação à sensibilização das pessoas. “Em relação ao abuso, as pessoas têm de ter coragem para denunciar. As pessoas têm de acordar para ver que o crime é gravíssimo”.
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