Como se faz um Estadista


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Um dos grandes desafios do Brasil, e de qualquer país em construção, é encontrar, em cada período, o Estadista capaz de definir seu futuro. Trata-se do político com visão de futuro, capaz de entender os impasses, as diversas forças de que dispõe, e lançar as bases da nova etapa de desenvolvimento. Não se trata de tarefa fácil. Tem que se ter o homem certo no lugar certo, naquele momento em que os impasses criam uma nova frente, uma breve semente que florescerá mais adiante. Mas um Estadista não nasce: tem que se preparar antes. O analista Dick Morris traçou um belo quadro de estadistas que conseguiram vencer no que ele chama de “jogos de poder”. Um dos perfis mais interessantes é do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan. Mesmo os que nunca concordaram com Reagan poderão aprender lições importantes sobre como montar um projeto político vitorioso, ajudando a mudar os rumos do País. Especialmente algumas lideranças relevantes de oposição, que no ano passado andaram inebriadas pelo canto da sereia do radicalismo, sem perceber que era um momento de catarse que tenderia a se diluir no tempo. O segredo do Estadista vitorioso consiste em entender, antes dos demais, as próximas etapas, e apostar pesadamente nos novos valores, especialmente enquanto é voz isolada. Quando a bandeira torna-se hegemônica, o Estadista colherá os frutos. Não é desafio fácil, porque sempre se corre o risco de apostar na bandeira errada. Mas quem não aposta em nenhuma, não vence. Reagan representava a direita do Partido Republicano, como Barry Goldwater, o extremista que acabou derrotado por Jimmy Carter. Tão conservador quanto Goldwater, Reagan era imensamente mais habilidoso. Um dos pontos centrais do seu discurso é que um partido político não poderia se descaracterizar transformando-se no que chamamos de “partido ônibus”. “Ele precisa representar certas convicções fundamentais que não podem ser sacrificadas aos interesses políticos do momento”, dizia ele. Mas para conquistar o poder, não bastava uma posição ideológica. Havia a necessidade de bandeiras que pairassem por cima dos partidos, permitindo reduzir resistências e conquistar corações e mentes. Goldwater considerava os democratas inimigos. Reagan dizia que nenhum americano poderia ser inimigo. As forças de esquerda não eram malignas, mas apenas “vítimas de ilusões”. Apontava como único inimigo “as forças da tirania”, externas, representada pela União Soviética. O conservadorismo de Reagan se apoiava em uma espécie de patriotismo místico, em um momento em que os EUA se consideravam uma nação decadente, principalmente após o desastre do Vietnã, o episódio de Watergate e o governo vacilante de Carter. Reagan foi o primeiro político, depois de John Kennedy, a despertar o povo americano para o sentido da sua missão, constata Morris. Essa firmeza de princípios valeu para conservadores como Reagan, para liberais como Clinton, para construtores de países como De Gaulle e Churchill. Poucas vezes na sua história o Brasil teve políticos de envergadura, capazes de conduzi-lo para um futuro melhor. G5 E G8 - 1 A reunião entre o G-8 (o grupo dos oito países mais industrializados do mundo) com o G-5 (o grupo dos cinco emergentes) não avançou muito. O G-8 acabou definindo uma pauta que interessava apenas a ele, como a liberação dos investimentos diretos em todos os países, a reabertura das discussões sobre a quebra de patentes em casos de emergência de saúde pública e a redução de emissão de gases poluentes. G-5 E G-8 - 2 A proposta do Brasil para a próxima reunião do G-8, em 2008 no Japão, é de reuniões prévias entre os dois grupos. Assim, quando houver a reunião específica do G-8, o grupo teria uma noção mais clara sobre as propostas do G-5. Um dos pontos centrais é que na questão do meio ambiente haja uma maior responsabilidade das grandes economias na redução do efeito-estufa. E que se definam metas quantitativas. G5 E G8 - 3 A tendência daqui para frente será a de fechamento dos mercados e protecionismo. Ficou claro na posição do presidente francês Nicolas Sarkozy que reiterou sua defesa do protecionismo agrícola. “Precisamos deixar a ingenuidade no vestiário”, declarou ele ao final do encontro. Sua posição, dita a George Bush, é que só haverá acordo em caso de reciprocidade. Os próximos meses serão decisivos para definir o novo quadro mundial. FMI E BRASIL - 1 A posição de Rodrigo de Rato, do FMI, sobre o Brasil mostra que, mesmo pagando antecipadamente sua dívida com o Fundo, o Brasil continuou um aluno extremamente aplicado. Rato defendeu a política cambial, elogiou a apreciação do real, condenou qualquer tentativa do Banco Central intervir no dólar. E completou com um clássico do “nonsense”: o real forte tornará o País mais atraente para investimentos. FMI E BRASIL - 2 A falta de limites para opinar sobre uma questão interna brasileira, só não é menor que a falta de senso, de considerar que um país “caro” (pois contando com uma moeda supervalorizada) poderá ser interessante para investimentos externos. Segundo ele, o real valorizado é uma boa oportunidade para reduzir juros e fazer reformas, como se não fosse possível tomar as duas medidas com câmbio competitivo.

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