Para a dona de casa Divina Siqueira Ferracini, 62, Alto Porã, em Pedregulho, é um paraíso. De lá, ela nunca saiu e não pretende se mudar. O marido de Divina, Alfeu Luís Ferracini, é vereador e representante da comunidade na prefeitura. O casal tem duas filhas, uma ainda mora no povoado. “Gosto dessa tranqüilidade. Se eu não mudei quando não tinha luz e asfalto, não é agora que conto com esses confortos que vou embora”, brinca.
Do outro lado da rua, mora o aposentado Onésio Ferracini, 76. Ele é considerado um dos moradores mais antigos do bairro. Está lá há 68 anos e, por isso, se alguém pergunta sobre a história de Alto Porã logo mandam falar com Onésio. Modesto, ele conta. “O povo fala, mas não sei muita coisa não. Sei que o povoado tem mais de cem anos e que surgiu por conta dos catadores de café que trabalhavam nas fazendas da região. O que me contaram é que tinha um fazendeiro aqui que foi esfaqueado por um de seus empregados e ficou para morrer. Ele fez uma promessa de que se melhorasse doaria um pedaço da fazenda para construir o povoado. Foi isso que aconteceu”.
O aposentado já morou em Pedregulho, Franca e até no Estado do Tocantins, mas não agüentou e voltou para Alto Porã. “Dos meus sete irmãos, quatro estão morando aqui. Gosto muito do bairro e não vou mais embora”.
Outro que não troca o vilarejo por cidade nenhuma é o empresário José Mauro Vicente, 65 anos, que tem um mercadinho e uma fábrica de camisas com uma produção de 4 mil peças por mês. Vicente só reclama da concorrência. “Mesmo o bairro sendo pequeno, têm três mercados. Estou sempre fazendo promoções para atrair os moradores”, disse ele. Neste mês, quem comprar no mercadinho do José Vicente pode concorrer a uma bicicleta.
Maria Helena Silva, 38, é uma das funcionárias da fábrica de camisas. Para ela, é a salvação do bairro. “Trabalho aqui desde os 13 anos. Se não fosse assim, certamente, estaria catando café que é um serviço bem mais pesado, principalmente para mulher”.
Já Gislaine Ferreira Vicente, 30, filha de José Mauro, prefere trabalhar no mercadinho do pai. “Fiz faculdade de administração e isso me ajuda no trabalho”. Gislaine não reclama da falta de agitação na cidade. “Ah, sou caseira. Nem sinto falta”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.