No alto de uma colina, no município de Pedregulho, está cravado o bairro rural de Alto Porã. O lugar que tem o melhor café do mundo. Pelo menos é o que está escrito na placa que dá as boas-vindas aos visitantes. E que ninguém duvide disso. Os moradores defendem o título com muita veemência. O povoado está cercado por grandes plantações de café. Os moradores são privilegiados com uma bela vista das colinas aos arredores e da represa Jaguara que pode ser vista de vários pontos do bairro.
Alto Porã está localizado a 7 quilômetros da Rodovia Cândido Portinari e 14 de Pedregulho, cidade à qual pertence. Nenhum morador soube precisar ao certo quantos anos tem o povoado, mas foram unânimes em dizer que já passou dos cem faz tempo. “Eu tenho 62 anos e, quando eu nasci, o povoado já existia há muito tempo”, disse a dona de casa Divina Siqueira Ferracini. O número de moradores passa de 300.
Não dá para se perder em Alto Porã. São apenas duas ruas que cortam todo o povoado e três menores que cruzam com as principais. Mesmo assim, se alguém ficar sem saber onde está, basta apelar para um santo. Isso é o que não falta no bairro.
São eles que dão nome a quatro das ruas. É um tal de São José, São Francisco, São Sebastião e São Benedito, que também batiza a Igreja e a pracinha central.
A praça, que é ponto de encontro dos moradores, está passando por uma reforma para estar pronta para a festa da igreja que acontece em julho. “É a única festa que temos por aqui”, disse a vendedora Gislaine Ferreira Vicente, 30.
Apesar de pequeno, o vilarejo oferece tudo o que os moradores precisam para levar uma vida tranqüila e saudável. Tem escola até 4ª série, posto de saúde, luz, água encanada, telefone e todas as ruas são pavimentadas. “Hoje em dia está muito bom.
Quando eu era pequena, não tinha nada disso. Na época da seca, a gente sofria com o poeirão. Agora é outra história”, disse a dona de casa Divina Siqueira, que não planeja deixar o bairro.
Quem foi embora, foi em busca de oportunidades. Quem ficou consegue trabalho em fazendas ou na fábrica de camisas. Sim. Apesar de pequena, Alto Porã tem uma indústria. José Mauro Vicente, 65, é o dono. Há 40 anos, Vicente, que já tinha um mercadinho, resolveu abrir uma confecção de calças jeans. Não durou muito. Foi então que partiu para as camisas. Nunca mais parou. “Emprego 18 pessoas que, se não fosse aqui, teriam que procurar trabalho nas fazendas”, disse. Por mês, são produzidas 4 mil camisas masculinas que são vendidas para um cliente de São Paulo.
Alto Porã tem as ruas planas e a maioria das casas tem portões baixos e poucas têm grades nas janelas. As crianças brincam sem preocupação nas ruas de bola, de pular corda, de soltar pipa e pega-pega. Os cachorros também não ficam presos em casa e circulam sem problemas por toda a cidade. Os moradores só não gostam muito da proximidade com a Rodovia Cândido Portinari.
Como não há policiamento no bairro, alguns deles foram vítimas de assaltos. Mas ninguém vive em pânico. Pelo contrário. E foi exatamente esse clima de roça que atraiu o casal de aposentados José Cândido Silva, 77, e Aparecida Lourenço da Silva, 76.
Depois de morar 29 anos em Ribeirão Preto, escolheram Alto Porã para curtir a aposentadoria. “Me mudei há sete meses e não pretendo sair daqui”, disse Silva, que nasceu em uma fazenda naquela região.
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