Perguntas, perguntas, perguntas


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Uma das idéias centrais de algumas correntes da psicanálise, dentro das teorias do apego, é aquela de que a mãe é a figura primária na estruturação da personalidade de um indivíduo. Seguindo essa linha, é com ela que se instaura uma relação psicoafetiva primordial, fundante das outras que virão. O modo como se desenvolve esse relacionamento com a mãe, constituindo, portanto, a matriz relacional, definirá o modelo sobre o qual a vida afetiva se refletirá. Pessoas que quando crianças viveram de modo agudo a experiência do abandono, inseguras afetivamente, encontrarão maiores dificuldades no processo de separação, para elas, particularmente angustiante e deflagrador de ansiedades de raízes distantes. Se a separação se dá, nesse caso, por iniciativa do parceiro, ocorre como que a confirmação de suas fantasias de culpa do tipo `ninguém gosta de mim`. Por outro lado, pessoas que viveram uma infância gratificada, cheia de afeto, possuem mais ferramentas para lidar com esse momento. Talvez seja um excelente exercício de autoconhecimento sondar em si própria e também em seu ex-parceiro (e naquele que poderá vir a fazer parte de sua vida) a qualidade de sua relação com sua própria mãe e daquelas das quais você vem fazendo parte ao longo de sua vida. Você verá uma correspondência impressionante entre o modo como se relacionou com a sua mãe e a maneira pela qual conduziu seu papel dentro do casamento. Inevitavelmente repetimos modelos de relacionamento em algum momento truncados por questões específicas. Que tal então tentar repensar esse modelo? Entenda: não é `por causa` de sua mãe que hoje você vive infeliz assim. Relação pressupõe pelo menos a existência de dois indivíduos relativamente ativos dentro dela. A idéia é entender a dinâmica de seu modo de interagir a partir do modelo primeiro, aquele que você teve com sua mãe. Qual o grau de apego que havia entre vocês? Como você lidava com as fantasias e/ou concretizações de abandono? Como era se separar dela para uma excursão do colégio, por exemplo? Como você agia diante de frustrações? Quando julgava que sua mãe não estava sendo aquilo que desejava você se queixava ou se tornava malvada? Destrutiva? Perversa? Subserviente? Ciumenta? Você idealiza as pessoas, isto é, projeta sobre o outro características do modo de ser desejado para si mesma? Você consegue um grau satisfatório de identificação com o outro, um sentido de solidariedade que alimenta sua necessidade de estar junto? Ou se transforma, a partir daí, numa pessoa dependente? Como se dá o seu processo de confiança no outro? Desde criança, e ainda hoje, tudo que você mais gostaria, intimamente, era de viver como os marsupiais - por exemplo os cangurus - na pele de outro? Sempre esperou um salvador em sua vida, aquele príncipe encantado que viesse resgatá-la de um mar de incertezas e contrariedades, ou mais regressivamente, numa grande necessidade de ser alimentada, cuidada e preservada dos males? Você se compromete, se envolve de fato numa relação ou fica na defensiva, na espera? Como lida com as diferenças, por exemplo, de opinião, visão de mundo, religiosas? Você se acomoda às situações transformando o cotidiano num corre-corre tedioso ou se joga na preparação de coisas novas, novos rumos, revivificação daquilo que vale a pena, alimentando-se da natureza intuitiva que há em você para avaliar rapidamente as situações, descartando o inútil e identificando o essencial? DESABAFO Com o inchaço no número de conveniados sem criar estrutura para isso, priorizando antes os ganhos, em detrimento do serviço humanizado, o atendimento nos hospitais particulares em Franca, que operam por meio de planos de saúde, parece cada vez mais comprometido. Esta colunista, que paga um valor bem alto de plano médico de um antigo hospital francano passou, pessoalmente, no feriado de Corpus Christi, por algo muito parecido com o que quase diariamente vemos noticiado sobre o atendimento público em saúde em Franca - profundamente desrespeitoso para com quem já está numa situação de dor. Demora no atendimento de uma enfermidade que exigia providências imediatas, isolamento (nenhum enfermeiro sequer na sala de observação para qualquer assistência), enfim, uma lástima. Num feriado, o pronto-socorro, lotado, havia apenas dois médicos plantonistas em atendimento. Não é possível uma situação assim. Pagar plano de saúde, com contratos risíveis de tão draconianos e pronto-socorro precário para quê, afinal? HUMANIZAR Muito se fala, a título de publicidade e proselitismo em `humanização no atendimento` em saúde. Há, sim, notoriamente, nos hospitais francanos, tentativas de treinamento com tal direcionamento junto aos seus funcionários. Mas de que adiantam esses treinamentos numa estrutura inchada, que não disponibiliza profissionais suficientes para atender à demanda, cada vez maior, dos conveniados? O que dizer das salas de espera lotadas de pessoas com as mais variadas enfermidades, algumas em situação realmente constrangedora, sem a assistência imediata a que têm direito? Humanização? Onde? A questão parece, infelizmente se reduzir mesmo à aritmética. Franca anda precisando urgentemente de novas alternativas para a saúde. Tanto a pública quanto a privada. Que este não seja um protesto a refletir apenas uma situação pessoal e isolada. A situação é recorrente, e em vez de melhorar, parece piorar a cada ano. É uma reclamação geral.

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