O novo contrato entre a Prefeitura de Franca e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), enviado à Câmara para aprovação dos vereadores, prevê que a companhia tenha um faturamento de R$ 2,5 bilhões até 2037 com os serviços de água e esgoto na cidade. Se confirmadas as previsões constantes no documento enviado ao Legislativo, o faturamento da estatal aumentará a cada ano e deverá saltar de R$ 61,8 milhões em 2008 para R$ 106,2 milhões em 2036. Um aumento de quase 72%.
O segredo para o crescimento pretendido pela empresa é o aumento de ligações de água e esgoto. Resumindo, a Sabesp pretende ganhar com o crescimento do número de consumidores nas próximas décadas. Em dezembro de 2006, a companhia contabilizou 99,6 mil ligações de água em Franca. Em 2037, o objetivo é que existam mais de 200 mil - ou seja, o dobro. Essa é toda a explicação para a elevação do faturamento que consta do contrato.
O dado, contudo, é de difícil entendimento, já que nem os executivos da Sabesp conseguem explicar claramente como pretendem quase dobrar a arrecadação (e as ligações de água) nos próximos 30 anos, já que nenhum estudo disponível prevê que a cidade vá dobrar de tamanho neste período.
O superintendente da estatal em Franca, João Comparini, diz que esses números não representam necessariamente o lucro líquido que a estatal terá ao longo do contrato. “Os cálculos são complexos e baseados em projeções. Além do mais, R$ 10 milhões daqui a dez anos não terão o mesmo valor que hoje”.
No quesito custos, a expectativa de crescimento é modesta. Pelas previsões feitas no contrato, a Sabesp deverá gastar R$ 62,6 milhões em 2008. Em 2036, quase 30 anos depois, o valor continuará praticamente o mesmo, R$ 65,4 milhões, um aumento inferior a 5%.
para onde vai?
Em que a Sabesp vai aplicar o dinheiro faturado é uma incógnita. No que se refere ao plano de investimentos, as explicações são vagas e se limitam a listar o remanejamento das redes e ligações de água, prolongamento da rede, troca de hidrômetros e o incremento de ligações, mas não trata de nada em detalhes.
Um plano com projeções mais específicas também foi entregue à Câmara, mas a reportagem não teve acesso a ele. Certo é que, em 30 anos, a companhia prevê aplicar R$ 289,4 milhões na cidade.
Pouco mais de 1% do que espera ganhar. “Não dá entender. É um calhamaço de 600 páginas”, diz o vereador Marcelo Valim (PSDB).
E não é para menos. “Está cheio de buracos. E ainda querem que a gente aprove isso correndo”, completa Gilson Pelizaro (PT).
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