Falando de flores


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Pausa para críticas ao sistema. É preciso aprender, antes de tudo, que a vida se nos apresenta como um oceano de incertezas, porém existem arquipélagos de certezas capazes de nos garantir uma certa segurança sobre determinados conceitos. O ser humano é simultaneamente físico, biológico, psíquico, cultural, social e histórico. Como a Educação desconhece essa unidade complexa, faz-se necessário restaurar o que significa ser humano. Comporta abordar, também, nossa identidade terrena. Todas as partes do mundo se tornaram solidárias. Não se pode ignorar que a raça humana partilha um destino comum. Aprender e ensinar a compreensão, que é, ao mesmo, tempo o meio e o fim da comunicação, quer entre os mais próximos, quer entre os estranhos. Daqui para frente será vital o estudo e a prática da compreensão, cujo objetivo é fazer com que as relações humanas deixem seu estado de barbárie e que a humanidade se torne apta a viver em paz. Um grande filósofo do século XX alerta: `A compreensão não desculpa nem acusa: pede que se evite a condenação peremptória, irremediável, como se nós mesmos nunca tivéssemos conhecido a fraqueza nem cometido erros. Se soubermos compreender antes de condenar, estaremos no caminho da humanização das relações humanas`. Atualmente, a orientação para os profissionais que trabalham nas mais diversas áreas, principalmente, aos profissionais da saúde, é que haja uma maior interface com o paciente. Isso humaniza o atendimento, acelera a melhora e desenvolve a auto-estima. Compreender consiste, dentre outras coisas no `bem pensar`, na introspecção, na `abertura subjetiva simpática em relação ao outro`, na interiorização da tolerância. Não faltarão obstáculos ao desenvolvimento da compreensão, sobretudo porque a cadeia do egocentrismo/autojustificação/self-deception (tapeação de si próprio), cujas estruturas estão profundamente enraizadas de modo indestrutível no espírito humano e que ele não pode arrancar, mas que ele pode e deve suplantar. . A ética do futuro deverá ser ensinada nos seguintes termos: "respeitar no outro, ao mesmo tempo, a diferença e a identidade quanto a si mesmo, alcançar a humanidade em nós mesmos e em nossa consciência pessoal, efetuar a dupla pilotagem do planeta: obedecer à vida, guiar a vida, assumir o destino humano em suas antinomias e plenitude, etc". As chaves que abrirão as portas de um futuro melhor e possível serão feitas a partir da tentativa de todos, conjuntamente, buscar abrir as portas. Isso implica em admitir que não se conhece esse caminho, todavia ele é passível de ser construído na medida em que haja disposição para caminhar. Muitos caminhos serão feitos ao andar. A humanidade terá de se realizar como tal. Só se realizando poderá garantir o futuro das gerações vindouras. Há belas flores nos mais tristonhos pântanos. Nada está perdido para a espécie humana. Ainda há muito a ser feito tanto em relação à espécie, quanto em relação ao meio. Toda a contribuição da humanidade para com o planeta e para com a espécie deverá ser pautada pela busca da compreensão mútua. Os `ruídos` que ameaçam essa realização não podem contar nessa busca. Compreender significa intelectualmente apreender junto. Pede abertura, simpatia e generosidade. NADIR A. CABRAL BERNARDINO é advogada, formada pela FDF, pós-Graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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