A leitura é um hábito saudável. Melhora o raciocínio, amplia a visão do mundo, enriquece o espírito, dá mais preparação para a vida. Num país com altíssimo grau de analfabetismo e pobreza, há que se divulgar sempre os benefícios da leitura e incentivá-la.
Na verdade, é necessário estimular o estudo. O governo e a própria sociedade deveriam buscar uma forma de levar à escola aqueles que não a freqüentam. Primeiro deve-se dar bom ensino básico. Sem boa base, não há boa cultura. Se é grande o número de analfabetos, é enorme o grau de ignorância dentre os ditos alfabetizados. Já se demonstrou que muitas pessoas com bom grau de escolaridade não sabem interpretar bem o que lêem nem conseguem escrever textos claros e inteligíveis. Falta de bom ensino básico. Pouca leitura.
A insensibilidade dos governantes com a situação do ensino é preocupante. A escola pública, ótima décadas atrás, está relegada a terceiro plano. O professor, antes um profissional valorizado, bem remunerado, respeitado, agora é uma figura quase invisível, deixada de lado, ganhando salário de fome. O Brasil só vai crescer e desenvolver-se quando melhorar a cultura do seu povo. Há que se investir alto no ensino público básico, pagar bons salários aos professores e recolocá-los no seu devido lugar, dotar as escolas de recursos necessários a um bom aprendizado, incentivar (até mesmo obrigar) a freqüência escolar, fazer da escola um local onde as crianças e adolescentes tenham prazer em estar. É preciso instituir o arrastão do estudo, mandar para a escola quem deveria estar nela. Recursos há. A arrecadação é gigantesca.
Há quem pense que o estudo não é tão necessário, pois temos um Presidente da República que não passou do segundo grau. Cuidado!
Ele não serve de paradigma. Possui um espírito nato de liderança, sem dúvida. Mas que qualidades tem para ocupar o cargo? Não obteve melhor formação porque não quis. Quando criança saiu da escola, mas ainda jovem tornou-se líder sindical e poderia retomar os estudos. Com seu blá-blá-blá, foi deputado federal, depois presidente de honra do PT, com regalias. Nos anos que ficou sem fazer nada desde que terminou o mandato de deputado, sonhando com o Palácio do Planalto, poderia ter-se tornado doutor em qualquer área. Tempo e dinheiro não lhe faltaram. Na verdade, o que ele queria não era servir ao Brasil. Queria era servir-se do Brasil. Não era conveniente a ele despir-se da imagem de semi-analfabeto de origem humilde, pois do contrário não poderia dizer que se identifica `com os pobres desse país`. Isso a cegueira coletiva engole, sem ver que pessoas de êxito, que conseguiram vencer na vida, vindas de origem humilde, há aos montes por aí. Para o nosso governante-mor, a encenação foi mais fácil do que trilhar o caminho do sacrifício, do conhecimento. Resultado: nunca fomos tão terceiro mundo. Saúde doente. Carga tributária recorde. Pobres mais pobres. Corrupção deslavada. Caos nos aeroportos. Liberdade de imprensa ameaçada. Temos sim um Presidente sem estudo, mas não vejo nele um exemplo a ser seguido.
Estudar é preciso. Por conta da baixa instrução e da pouca leitura é que o brasileiro vive na pobreza, mesmo num país com dimensão continental, solo fértil, localização geográfica privilegiada, fartos recursos naturais. Por isso somos um povo despolitizado, ingênuo, inerte frente à corrupção. Um bando de ovelhas. Por isso o país está no topo das estatísticas da criminalidade, do desemprego, da má distribuição de renda, da carga tributária. A maioria das pessoas não tem acesso a bens de consumo relativamente baratos. Nada funciona direito. Vejam o tratamento oferecido pelo SUS. É deprimente aquela fila de madrugada. Na morosa justiça, processos arrastam-se por décadas.
Portanto, pais, ricos ou pobres, não tirem os filhos da escola; acompanhem o desempenho deles; façam-nos estudar e ler muito.
Eles lhes agradecerão no futuro. E o país também.
PAULO PEREIRA DA COSTA é Promotor de Justiça
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