A grande maioria dos chatos costuma ser de donos da verdade. Gostam de aparecer, têm que se fazer notar. São muitos, os vulgo “malas sem alça”. Tantos que a lista ficaria interminável e eu não teria espaço suficiente para enumerá-los nesta coluna, por isso resolvi destacar hoje o chato iluminado. O universo limitado e restrito permite que ele apareça a qualquer momento em nossa vida. Não tem erro.
O chato iluminado nunca fica com a boca fechada. Recentemente fui vítima de um no centro de Franca. Estou eu lá na Praça Barão e chega um sujeito pregando a `palavra de Deus`. E fala, grita, gesticula. Conta sem ninguém perguntar que tomava cachaça o dia todo, vivia na vida do crime, era um perdido, que fazia e acontecia. Explica que certo dia foi `iluminado` e resolveu largar tudo. Fala bem alto e não deixa ninguém conversar. É o dono da situação. Depois de fazer uma verdadeira `pregação`, advinha?
Diz que tem esposa, filhos para criar, está desempregado, etc. e tal. Logo após fala que está vendendo vidros de pimenta temperada pela tia, que só custa R$ 10 reais a garrafa, que é para ajudar o avô doente, e cascata vai. Aí fico pensando enquanto alguns compram a tal pimenta. Afinal qual é o objetivo dele?
Claro está: vender pimentas. Não seria mais prático se ele simplesmente explicasse isso sem usar o nome de Deus? Mas não pára por aí. Ainda existem aqueles que fazem a mesma coisa, com a diferença que não vendem nada, só fazem falar, falar e falar.
E brigam se forem contrariados. Tudo em nome de Deus. Eu pergunto: que direito uma pessoa tem de incomodar a vida alheia? Quem quer ouvir pastor falar, vai a uma igreja! São milhares por aí, de todos os tipos. Usar o nome de Deus em vão, sempre me deixa revoltado.
Outro tipo de chato que é presença firme aqui em Franca e em qualquer lugar do Brasil, ponta firme mesmo, é o chato despertador, que muitas vezes chega bem cedinho em sua casa.
Toca a campainha e mesmo vendo você de pijama, descabelado e abrindo a boca de sono, não pára de falar sobre a Bíblia. Esse tipo gosta de ver seu sofrimento, por isso, não adianta resposta malcriada, resmungo. Ele gruda mais. Nem adianta fingir simpatia, na esperança que ele parta. Não há solução. E o pior é que a possibilidade de que cresça o número desses iluminados é grande.
Com toda a exclusão no nosso país, violência, desemprego e problemas de saúde, muitos deles vêem a religião como uma entidade que vai resolver todos os seus males, de forma imediata e definitiva. Usam sem temor o nome de Deus em vão. Vivem pedindo tudo a Ele: saúde, amor, felicidade, sabedoria e dinheiro, em doses e associações variadas. E, num assomo de má consciência, democratizam , estendendo-o a todos os outros. O Deus atendedor do balcão desses pedidos responde sempre o mesmo, embora de muitas maneiras: `Acho que não me compreendeste. Aqui não vendemos frutos. Vendemos unicamente sementes`.
ARLINDO MARIANO DE SOUZA
Aniversário deveria ser sempre um dia feliz. Mas a felicidade é um sentimento meio arisco. É preciso ter sabedoria para conquistá-la. Temos de enxergá-la, descobri-la nas pequenas coisas, vivê-la a cada dia, se quisermos tê-la sempre junto de nós, e isso você nos ensinou ao longo dos seus 88 anos. Por isso, venho hoje rebelar-me contra toda e qualquer tristeza que possa haver em seu coração e decretar, sem ressalvas, o seu Dia de Felicidade! Vou convocar todos os seus filhos, netos e amigos! Que venham em comitiva cobrir você de carinho, de abraços e de muita luz. Quero ver você sorrir de felicidade, por celebrar a vida, pelas bênçãos recebidas, por saber-se gente, porque vale a pena. Parabéns, papai, porque você tem a humildade dos grandes, a coragem dos fortes e a leveza dos puros...
ESTAMOS ÀS ESCURAS
Algumas ruas de Franca, à noite, são um digno cenário de filme de terror, tamanha é a escuridão e o medo de quem passa por elas. Muitas ruas estão em completa escuridão. Onde estão nossos vereadores que não observam isso? Será que ninguém sai à noite?
Ou será que estão preocupados com outros assuntos que não o bem estar do morador de Franca?
RUAS ABANDONADAS
A nossa querida Franca não pode ter ruas sem calçadas ou esburacadas, principalmente no setor central. Mas tem.
Experimente passar pela Rua Voluntários da Franca, esquina com a Rua Homero Alves. A Prefeitura deveria notificar proprietários e multar. Assim teríamos uma cidade mais limpa, bonita e boa de morar. É difícil fazer isso? Eu acho que não!
GASOLINA E DÓLAR
Essa eu queria entender. Lembra-se que a gasolina sempre subia com a alta do dólar? E agora, com o dólar despencando? Por que a gasolina continua subindo?
A CIDADE INVISÍVEL
O inverno está chegando. Faz frio em Franca. O mundo dos pobres, sem abrigo e sem horizontes, é diferente do das nossas casas quentes. É um mundo de pequeníssimos passos, em que um banho, uma sopa, uma palavra ou uma decisão banal são tesouros de valor incalculável. É um mundo em que as memórias que contam são as da sobrevivência mais cruel. Em que o afeto é uma carta fora do baralho. Insistimos em olhar esse mundo com os olhos formatados pela nossa normalidade segura e confortável. E só conseguimos ver pessoas estranhas com práticas estranhas. Quem é mais pobre afinal? Vemos o que queremos e fechamos os olhos ao que não queremos ver. Em Franca, em casas certas, em ruas movimentadas, em espaços que conhecemos, há uma realidade de pobreza e de exclusão insuportável. Não é das periferias que falo, é do miolo da cidade onde a velhice solitária, a pobreza desarmada, a prostituição magoada e a marginalidade doente vivem sem disfarce.
Refugiada na sua hipócrita ignorância, a cidade normal pretende não ver essa cidade impura e carente.
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