O século XXI e a agricultura


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Uma das palestras mais interessante no Summit do Ethanol foi a de Alexandre Mendonça de Barros, da FGV-SP, mostrando as novas características da agricultura brasileira, especialmente a flexibilidade para enfrentar os diversos riscos da atividade. Quando se olha o mapa agrícola nos EUA, existem os cinturões do milho, do algodão, com nítida concentração de culturas em cada um deles. No caso brasileiro, a necessidade acabou levando a um modelo mais flexível, para poder enfrentar os riscos da atividade no País. Essa integração agricultura-pecuária permitiu ao País sair de um rebanho de 150 milhões de cabeças em 1990 para 207 milhões em 2005, concomitantemente à expansão da área agrícola. No Paraná, por exemplo, cresce a área agrícola e não cai a produção pecuária. Recentemente, Alexandre ouviu de especialistas internacionais o prognóstico de que o século XXI será o da agricultura brasileira, e em cima de pasto. Nos EUA seria impossível a rotação entre culturas de milho e soja com pecuária porque o frio interrompe o processo biológico. É esse modelo que permite aos estudiosos brasileiros eliminarem a possibilidade de conflito entre alimento e energia. O novo modelo agrícola será de pasto com benefícios energéticos, e todos os gastos energéticos sendo supridos pelo próprio sistema. Hoje em dia, em áreas de cana-de-açúcar já se exporta uma produção de 2,7 milhões de toneladas de carne vermelha, mais do que a Austrália produz de carne, mais do que a soma de exportações da Austrália, Argentina e EUA. Se sobre o preço do grão, o Brasil é competitivo. Se cai o preço, usa-se a produção para completar a engorda do boi. Nesse modelo, a área agrícola de São Paulo tenderá a crescer. 20% da área de cana é reformada anualmente, permitindo plantar, de forma associada, soja e amendoim. A ponto de São Paulo ser o maior produtor de amendoim do País. Tudo isso visa compensar a ausência de redes de proteção do setor. Segundo Alexandre, o Brasil tem a agricultura mais privada do mundo - no sentido, de falta de anteparo público. São inúmeros os riscos da atividade agrícola. O primeiro é a produtividade, a quebra de safra. Não há um sistema adequado de seguro agrícola. Em todos os países foi demorada a implantação do seguro rural. A cana tem maior resistência aos riscos climáticos porque resiste ao veranico. Além disso, se não foi colhida servirá como adubo para a safra seguinte. Mas, segundo trabalho da ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), é muito alto o risco climático da soja no Rio Grande do Sul. O segundo risco alto é o da volatilidade de preços, especialmente no setor de fertilizantes. Hoje em dia a indústria importa 63% da matéria-prima utilizada. Com o câmbio no nível atual, caminha para importar 80% dos fertilizantes. Os solos brasileiros são pobres, exigem adubação intensiva. Os fertilizantes de fósforo mais usados saíram de 280 dólares para 450 dólares a tonelada em três meses. Metade das jazidas do mundo está em Marrocos. Essa vulnerabilidade terá que ser compensada com mais pesquisas e estímulo à produção interna. AGRESSÃO NO INSS A médica perita Marcia Silva Santos foi agredida por uma segurada ontem pela manhã no posto do INSS em Santo André (SP) e teve um deslocamento de retina. Segundo a ANMP (Associação Nacional dos Médicos Peritos) esta foi a 57ª agressão contra médicos em 2007. No fim de maio, um perito foi assassinado. O motivo da agressão foi a confirmação da alta programada do benefício de auxílio-doença (no valor de R$ 498) que a operadora de telemarketing Eudete Vilas Boas, 39 anos, recebia desde janeiro. O benefício foi concedido até abril por conta de um quadro de depressão. Ela conseguiu uma prorrogação até o dia 9 de junho e ontem foi ao posto realizar nova perícia para prorrogar o benefício, pois não se sentia em condições de voltar ao trabalho. Logo após o exame, a médica informou que a segurada tivera alta. Eudete disse que entraria com um pedido de recurso da perícia e foi até o balcão de atendimento. A médica chamou o segurado Eduardo Santana, 32 anos, que seria o próximo examinado. Aproveitando uma confusão causada por um bêbado que entrou no posto e era retirado pelos seguranças, Eudete entrou no consultório e começou a agredir a médica. PIS/PASEP O Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador) aprovou ontem o calendário de pagamento do benefício do abono salarial para o exercício 2006/2007, que começa em agosto desse ano e termina em junho do ano que vem. Ao todo são 12,5 milhões de pessoas que têm direito a receber o benefício de um salário mínimo, cerca de 10% a mais que o número de trabalhadores identificados pela Rais (Relação Anual de Informações Sociais) no exercício anterior, quando 11 milhões de trabalhadores tiveram direito ao abono. Têm direito ao abono salarial equivalente a um salário mínimo os trabalhadores e servidores públicos que foram cadastrados no PIS/Pasep há, no mínimo, cinco anos (até 2002), tenham trabalhado, pelo menos, 30 dias em 2006 e recebido, em média, dois salários mínimos no período. O PIS é pago em qualquer agência da Caixa Econômica Federal, independente do local do cadastro. O Pasep deve ser recebido no Banco do Brasil. Para efetuar o saque, os trabalhadores ou servidores terão que apresentar o número do PIS ou Pasep e a carteira de identidade. O prazo para o saque termina no dia 30 de junho de 2008.

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