Sofás, pufes, cama e quem sabe uma jangada para levar para o rancho. Garrafas PET foram transformadas em móveis pela equipe de Recursos Audiovisuais da Unifran (Universidade de Franca). Isso mesmo. Técnicos resolveram trocar a alta tecnologia de computadores, projetores e afins para trabalhar com plástico, fita adesiva e tesoura, fazendo objetos com embalagens de refrigerante.
Ao preparar treinamentos para a equipe de 16 homens que comanda, Mara Almeida, especialista em Recursos Humanos e coordenadora do setor, decidiu incluir ações para beneficiar o meio ambiente. “Os problemas da natureza estão sendo bastante discutidos hoje. Decidimos descobrir como podemos contribuir para preservá-la”. Após visitar o aterro de entulhos da cidade e conversar com pessoas que catam lixo, resolveram trabalhar com recicláveis.
O grupo foi ousado. A primeira criação foi um sofá, peça que faltava na sala de Recursos Audiovisuais. As 325 garrafas usadas foram compradas de catadores, o modo de confeccionar pesquisado na internet e o resultado, após uma semana de produção, uma poltrona de 25 quilos para três pessoas. É resistente e pouco confortável, mas um conjunto de almofadas em cima resolve o problema. “O projeto ainda tem o lado social, pois ajudamos os catadores e sucateiros. Eles costumam vender 20 unidades por R$ 0,50, mas compramos por R$ 2. Eles se sentem lisonjeados”.
Lavadas, cortadas e encaixadas umas nas outras, as pets já viraram pufes e devem servir para o sono de uma família carente a partir de julho. A equipe aproveitará as férias de julho para montar o móvel e doar para as pessoas. “É uma forma de fazermos algo diferente, trabalhar em equipe e ajudar os outros”. Os técnicos ainda pensam em fazer uma jangada com as garrafas. “Em grupo, surgem mais idéias e a vontade de inventar é muito grande”, disse Mara.
Os participantes aproveitam a oportunidade de criar e colaborar ao mesmo tempo. “Quando falo que fizemos um sofá, as pessoas desacreditam, acham que vai amassar quando sentarem e ficam surpresas de isso não acontece. A experiência é gratificante: tiramos o lixo do meio ambiente (segundo site Ambiente Brasil, as embalagens PET demoram mais de cem anos para se decompor) e ajudamos vendedores de recicláveis”, disse Antônio da Silva, operador de imagem e som na Unifran. O companheiro de trabalho Welington Moreira, auxiliar de recursos visuais, levou a idéia para casa. Com garrafas PET de 600 ml fez um minissofá para Ana Gabriela, sua filha de um ano e quatro meses. “Ela adora”.
Mara está disposta a ensinar as técnicas para fazer móveis. Interessados podem trocar idéias com ela pelo e-mail mara@unifran.br.
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