Hora de sentir o peso da realidade


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Paula tem apenas 25 anos. A última quarta-feira seria um dia comum em sua vida. Uma rotina de trabalho, conversa com amigas, almoço em casa... No meio do caminho a imprudência e a irresponsabilidade de um garoto de apenas 15 a fizeram vítima. Paula foi atropelada por esse garoto e, com fraturas os braços, perna e bacia, terá que ficar por semanas completamente imóvel, dependendo de outros para as tarefas mais simples. A esperança de todos que gostam de Paula é que o grave acidente não deixe seqüelas graves e que ela possa, depois da delicada cirurgia pela qual passou ontem e ao fim do longo e difícil tratamento, voltar a ter uma vida normal. Difícil é também dizer o que será da vida desse garoto de 15 anos. Inimputável perante a lei, corre o risco de seguir sua vidinha tranqüilamente, como se nada tivesse acontecido. Diz-se "corre o risco" porque para a formação de seu caráter essa impunidade será devastadora. Uma vez que não pode ser considerado - pela lei - responsável pelo que fez, deve sair completamente ileso de toda essa história e, distanciado do episódio, certamente nunca tomará consciência do tamanho mal que causou. Seu pai, responsável legal, talvez arque com algum prejuízo financeiro. Pouco para o tamanho do estrago causado. Como a lei não permite cobrar mais do que isso de nenhum dos dois, seria de esperar que o pai tivesse uma atitude minimamente decente e impusesse ao filho, ao menos, um aprendizado; que ele não permitisse que esse acidente tivesse sido em vão. Como não é possível cobrar desse garoto as responsabilidades com as quais deveria arcar legalmente, precisaria ao menos sentir o peso do que fez. Visitar Paula e testemunhar sua situação, ver o que ele próprio causou, talvez o ajude a entender que uma atitude sua colocou a vida de outra jovem em risco. Quem sabe a imagem da moça prostrada na cama do hospital graças à sua atitude inconseqüente o faça refletir, crescer. Encarar seus erros talvez o ajude a se tornar um adulto mais consciente, responsável e menos covarde. Talvez ainda dê tempo.

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