O álcool vendido em Franca é o quinto mais caro do interior paulista. Na cidade, o preço médio do litro é de R$ 1,496 e só perde para Salto, Araçatuba, Marília e Birigüi, que vende o combustível a R$ 1,526. Os dados são da ANP (Associação Nacional do Petróleo) e têm por base levantamento feito, no período de 27 de maio a 2 de junho, em mais de cem cidades paulistas. Pela pesquisa, o preço médio do álcool mais barato é praticado em Bebedouro, a 138 quilômetros de Franca, onde o litro do combustível custa R$ 1,227.
Para o advogado da Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista dos Derivados do Petróleo do Estado de São Paulo) de Franca, Fernando Jaiter Duzzi, o preço do álcool praticado na cidade é livre e não tem regra de mercado que o controle. Duzzi acredita que o valor do litro do álcool é mais caro em razão da qualidade que apresenta. “Franca tem um dos melhores álcool do interior paulista. A qualidade do nosso combustível é indiscutível. Além disso, o valor do álcool apresentado pela ANP como sendo de Franca corresponde a 23 cidades da região”.
Segundo o diretor de uma usina da região, que preferiu não ser identificado, não só a qualidade do álcool deve ser levada em consideração. Ele defende que há somente duas explicações para o alto valor do combustível na cidade: a formação de um quartel ou ainda o repasse de todos os gastos para a venda do produto. “O fato de Franca ter um dos combustíveis mais caros do interior pode ter o seu lado bom e o ruim. Precisamos contabilizar quanto custa para o álcool chegar até o consumidor, pois a usina não vende direto para o posto. Há custos de frete, de imposto, a margem da distribuidora e também a margem do posto. Por outro lado, os donos de postos podem estar combinando preços”, explicou.
Na opinião do especialista, o preço ideal do litro do álcool deve ser entre R$ 1,10 e R$ 1,20. “O álcool anidro sai da usina a R$ 0,75 e o hidratado a R$ 0,70. Estamos produzindo mais, a safra é maior e queremos que isso seja repassado ao consumidor.
Todos os usineiros torcem para o consumo aumentar, mas também não podemos permitir que o preço seja i[risório”.
Célio Rolzão, proprietário do posto Santos Dumont, afirma que coloca a margem de lucro necessária e não sabe dizer o porquê da diferença em relação a outras cidades. “Em Franca, pelo menos o mercado está moralizado e seguimos o preço de mercado. Inclusive houve mais uma redução e o preço já está a R$ 1,379. Ninguém quer colocar um preço abusivo, mas também não somos milagrosos para ficar no prejuízo”. Rolzão afirma até mesmo que, pela sua percepção, haverá outras quedas no preço do álcool. “A demanda está grande e em comparação com outros anos, o preço vai cair ainda mais. Em janeiro, custava R$ 1,60 pois estava fora da safra. Colocamos o preço conforme a necessidade. Não somos gananciosos”.
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