Superação! Valorização! Conhecimento! Vozes de comando a que professores nos compelem e que a vida nos confirma e cobra.
Hoje faz três dias que o Dr. Rafael Infante Faleiros morreu.
Difícil de acreditar! Foi juiz com um coração sensível à advocacia. Aprendi com ele que a justiça decorre principalmente da intervenção do advogado, pois o magistrado somente decide após provocação das partes envolvidas, catalisadas pelo advogado.
É por meio do advogado que as mudanças sociais ocorrem uma vez que a função de um processo é a pacificação social. Ao decidir o Estado, representado pelo juiz, resolve o problema das partes. A Constituição Federal garante o exercício profissional da advocacia como função essencial à Justiça. O Rafael magistrado sabia valorizar e reconhecer a superação profissional dos profissionais advogados que atuavam nos casos que julgava.
Na última oportunidade que tive com ele fui imensamente agraciado com as suas palavras. Fiquei surpreso quando ele disse em sala de aula sobre meu desempenho, em sustentação que havia feito no Tribunal de Justiça. Eu não havia falado nada para ninguém sobre o caso, mas ele ficou sabendo e aproveitou para demonstrar aos demais colegas que era possível superar-se após a derrota. Em outras palavras, cliente meu tinha sido condenado e o Tribunal modificou sua decisão após sustentação oral que empreendi.
O Dr. Rafael tinha o poder de nos convencer que somos capazes de fazer a justiça prevalecer. Ele era capaz de nos motivar a dar tudo de nós em prol da justiça. Com o falecimento dele, as lembranças de nosso relacionamento profissional se reacenderam na minha memória. Recordei de cada palavra que trocamos e o quanto existia respeito e admiração mútua entre nós. Nem por isso deixei de ter sentenças desfavoráveis proferidas por ele, pois, se havia questões das quais ele não arredava pé era com o rigor, a honestidade, a integridade e a preocupação com o resultado das suas decisões.
Durante estes momentos de lembranças, recordei-me de vários professores que passaram pela minha vida e não podia deixar de agradecer a todos, pois, o que sou, também devo e sou grato a todos eles. Lembrei-me do professor de História - Chico - que dias destes reencontrei atuando como jurado enquanto eu defendia um cliente.
No momento em que me dirigia ao corpo de júri, vi-o e foi algo indescritível. Eu estava diante do meu professor e agora ele novamente me avaliaria, não mais como aluno, mas como o profissional que ele tinha ajudado a moldar. Acho que me viu com orgulho, um pouco do resultado do seu grande esforço docente.
Ocorreu o mesmo com o professor Moge, da Matemática de outros tempos. E não poderia esquecer de meu professor de comunicação e expressão, Luiz Neto, a quem devo muito dos meus bons resultados profissionais e pessoais, ele que me ensinou a arte de conversar a mesma coisa com a voz, os gestos e a emoção.
É estranho, mas não valorizamos a palavra, a oratória, a fala, a comunicação como devemos. Termino estendendo esta homenagem a todos os professores, sem exceção, pois sem o esforço pessoal deles, em vão seria a existência humana. O Dr. Rafael bem sabia disso, não retinha qualquer conhecimento. Tinha prazer em ensinar. Quando estava em sala de aula partilhando conhecimentos, sentia-se completamente realizado.
Saudade sim. Tristeza não. O que devemos fazer é seguir os exemplos dos professores, ter o prazer de partilhar o conhecimento e superar a cada dia os obstáculos da vida. Quanto ao Dr. Rafael, como gratidão a tudo que me ensinou só me resta não deixar que nada se perca e que tenha continuidade. Tudo nos pode ser tirado. O conhecimento, jamais.
ACIR DE MATOS GOMES é advogado com atuação em Tribunal de Júri, corretor de imóveis, adesguiano e palestrante
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