Faz tempo que perdemos a primazia de cidade do interior, onde se podia dormir sossegado, onde se falava com vizinhos, onde se podia deixar a porta aberta e dar umas voltinhas, onde se confiava nas pessoas. Quem se lembra com saudade do Geraldo Pelotão, figura folclórica pura e ingênua; do Bar Pajé, onde se reunia a elite bem informada; da Praça Barão, onde fervilhava a vida política? Incrível, mas tudo isso acabou. Estamos atordoados tentando entender o que aconteceu. A cidade foi tomada de assalto por pessoas estranhas, pessoas de outras plagas, com outras culturas. Estamos aqui, meio abobados, tentando entender mas sem querer aceitar que o sonho acabou. Por favor, devolvam-nos a nossa Franca que sempre recebeu de braços abertos; aquela que, quando me aventurava a viajar queria logo voltar para a terra generosa, calma, tranqüila, que eu sabia me esperar, onde me sabia reconhecido e bem recebido. Hoje, com tristeza, constato que minha Franca pertence a estrangeiros que nem beberam da água da careta mas que leram em algum pára-choque de caminhão que Franca era um pedacinho do céu. E, antes que eu me arrependa, boas-vindas aos novos habitantes, mas que venham para o progresso da cidade e, mesmo sabendo que a magia dos velhos tempos não existe mais, que venham com o mesmo espírito daqueles que fizeram desta terra o cantinho do céu. Porque era verdade.
José Roberto
é leitor do Comércio da Franca
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