Duas reportagens publicadas em 20 de maio pelo Comércio me fizeram parar para pensar o que é sobrevida. A primeira, “Marcela não tem vida, tem sobrevida”, frase do cientista Thomas Gollop, que analisou o caso do bebê sem cérebro de Patrocínio Paulista. A segunda, “Oito crianças por dia sofrem violência em Franca’, assinada pela repórter Nelise Luques. O Ministério da Saúde vem demonstrando grande interesse em oficializar o aborto no Brasil como se fosse bom para a vida das mulheres, mas se esquece que Deus, na sua infinita bondade e justiça, que dá a vida, pede que se “ame a Ele sobre todas as coisas e ao próximo, com a si mesmo”. Se Cacilda Galante, mãe da menina que garantiu o direito à vida à sua filha, mesmo sabendo que ela não seria normal, tivesse optado pelo aborto, teria dado cumprimento aos mandamentos de Deus especialmente ao quinto, “não matarás”? Ela demonstrou sua fé ao aceitar a provação que teria que passar com o nascimento da filha, mas cumpriu com a lei Divina. Fisicamente está comprovado que Marcela apenas sobrevive; mas, para nós que cremos na existência da alma, ela tem vida perante Deus. E as oito crianças que diariamente sofrem violência em Franca, conteúdo da outra matéria? Será que vivem? Ou sobrevivem à violência, ao desamor, aos maus-tratos; sem contar os problemas da fome, da miséria, dos maus exemplos, da incapacidade dos responsáveis políticos em defenderem a família e garantirem direitos básicos ao trabalho, com o pai e a mãe tendo acesso a salários suficientes para garantirem ao menos o necessário aos filhos que precisam ter vida e não sobrevida. Será que teremos de abortar estas crianças também? Para que a vida não seja sobrevida, não precisamos de aborto, mais sim de amor, de paz e de esperança num futuro melhor na casa do Pai Celestial. Se nossa voz não é ouvida pelos governantes é porque também nós apenas sobrevivemos à violência, à doença, à miséria e não chegamos a ter vida. Sem gritar, somos apenas sobreviventes da ignorância, da ganância e do egoísmo humano.
Terezinha D’Arc Barbosa Gera
é leitora do Comércio da Franca
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