Dia de pesca


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SEM ÁGUA - Leito da represa do Castelinho praticamente sem água. Com as obras de desassoreamento, peixes escoaram para o Córrego do Espraiado e foram fisgados pela população
SEM ÁGUA - Leito da represa do Castelinho praticamente sem água. Com as obras de desassoreamento, peixes escoaram para o Córrego do Espraiado e foram fisgados pela população
A água suja e o cheiro forte não conseguiram impedir que mais de 40 pessoas entrassem no Córrego do Espraiado, próximo ao Bairro Santa Rita, ontem pela manhã, para pescar. A grande quantidade de peixes que chamou a atenção de quem passava pelo local veio da represa do Castelinho. Por conta das obras de desassoreamento - para retirada da terra e sujeira acumuladas no fundo do reservatório -, foi preciso abrir as comportas e esvaziar a lagoa. Com isso, os peixes que viviam no local escoaram para o córrego. Vizinhos do clube aproveitaram a oportunidade para garantir o almoço da semana. Com peneiras, baldes, redes ou só com a mão, já que os peixes eram vistos por cima da água, quem se arriscou conseguiu pegar tambaquis, pacus, lambaris, traíras, inhangus e bagres de até um metro de comprimento. Teve até quem usasse o porta-malas do carro para conseguir carregar toda a pescaria. Para a família da dona de casa Silvana Helena Caetano Silva, que mora no Prolongamento do Jardim Santa Rita, peixe também não vai faltar. “Meu marido, semana passada, trouxe muito peixe para casa. Deu para dividir entre seis pessoas que moram comigo. Fiz uma “fritada” e estava uma delícia”, disse. Para essa semana, Silvana também poderá ficar tranqüila com a refeição da família. “Meu marido está lá em baixo (córrego) pegando mais peixes”, disse ela ao lado de uma balde com quase 40 quilos. O pedreiro Nilton Gomes, morador no Jardim Aeroporto, passava pelo local e, quando viu a quantidade de peixes à disposição, não perdeu a oportunidade. Nunca vi tanto peixe na minha vida, ainda mais assim, tão fácil de pegar”. Em 15 minutos ele e dois amigos encheram três sacos de peixes. Apesar das obras na represa do Castelinho se estenderem pelos próximos seis meses, a maré de pesca não deve durar muito tempo. Marco Garcia, diretor do Castelinho, disse que a água do reservatório está abaixo das comportas e não existem mais peixes para descer o córrego. “Quem não pegou não pega mais. Os peixes que havia dentro da represa já acabaram”, disse. CUIDADOS O responsável pelo setor Vigilância e Saúde do Município, Fernando Baldochi, tranqüiliza aqueles que pescaram no local. Ele disse que os peixes podem ser consumidos sem riscos à saúde. “Desconheço qualquer tipo de contaminação na água da represa. Ela é limpa, portanto, os peixes podem servir de alimento sim”. Baldochi alerta, no entanto, que os “pescadores” não devem consumir os peixes que forem encontrados mortos. Se ingeridos, podem causar intoxicação alimentar. “Neste caso há perigo de consumo, uma vez que a pessoa não sabe quando esse peixe morreu e nem a causa da morte”. Como algumas pessoas já levaram peixes mortos para casa ontem, Baldochi orienta que, antes do preparo, todos observem a textura e o odor. “Se ele estiver com as guelras destruídas, olhos afundados, cheiro de amoníaco, carne cedendo à pressão dos dedos e a barriga inchada, está impróprio para o consumo”, alerta Baldochi. AS OBRAS Para desassorear a represa do Castelinho, o DAE (Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo) cedeu uma máquina draga que ficará na cidade pelos próximos seis meses. Um operador da máquina permanecerá na cidade até o final da obra. A Prefeitura de Franca emprestou uma pá-carregadeira, caminhões e funcionários para transportar a areia retirada do fundo da represa até a voçoroca na Avenida São Vicente, na Vila Hípica. O desassoreamento, de acordo com Marco Garcia, é necessário para que a represa ganhe mais capacidade de armazenar água, diminuindo assim, chances de enchentes. A lagoa, que existe há mais de 40 anos e chegou a ter 5 metros de profundidade, atualmente não tem mais de 1,5 metro em alguns trechos.

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