A mudança da matriz energética mundial, com o crescimento da energia renovável, abre um espaço único para o Brasil. Se o País souber administrar esse presente, torna-se potência, distribui renda, desenvolve-se, mesmo com todos os erros de política econômica. Se errar, será mais uma oportunidade enorme jogada fora.
Por isso mesmo, pelo fato de ser uma realidade complexa, não poderia haver abertura melhor do Summit do Ethanol - do que a escolha dos palestrantes do evento de abertura: o ex-primeiro ministro espanhol Felipe González.
A mesa de debates foi presidida pelo ex-Ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Teve como segundo palestrante Vijay Vaitheeswaran, autor de Power and People e correspondente da revista The Economist. Minha participação foi como comentarista das duas palestras, na condição de representante do Projeto Brasil.
González trouxe para o evento a visão estratégica, de longo prazo, complexa, as oportunidades sócio-econômicas, as alianças geopolíticas, uma visão de estadista que o País desabituou de ouvir. Parecia um grande mestre de xadrez analisando as possibilidades do tabuleiro, com uma objetividade e um conhecimento concreto que passa léguas de distância do que o Brasil conheceu nas últimas décadas.
Em sua visão, a bioenergia traz a possibilidade de se ingressar em uma era inédita na humanidade, o desafio inédito de conviver em paz em torno de uma energia distribuída, sem as características sangrentas da civilização do petróleo.
Ele prevê uma nova ordem internacional, de convivência harmônica, com a possibilidade de desenvolvimento dos países emergentes, aqueles em que são mais evidentes as vantagens comparativas da nova energia.
O Brasil é o único país do mundo dominando o ciclo da energia renovável, com peso relativamente alto no mundo, diz ele. As incertezas do petróleo fizeram com que, desde os anos 90, não houvesse mais investimentos significativos nem em novas prospecções nem em refino.
Por outro lado, o crescimento da demanda por energia tem sido tão forte que não existem cálculos precisos para estimar as novas necessidades. A América Latina é um continente pobre, que tem 10% da população mundial e apenas 5% do PIB. É fundamental se pensar, inicialmente, na integração do continente.
Para González, um gasoduto ou oleoduto, uma integração energética ou rodoviária vale mais do que mil discursos, para a integração da região, dentro de uma estratégia de desenvolvimento. E não consegue entender porque a região não está acelerando os projetos em direção à integração.
Ao mesmo tempo, sugere um diálogo Norte-Sul e uma aproximação do Brasil com os países africanos, que também têm enorme potencial de produção de enbergia renovável.
González chama a atenção para os riscos da região virar uma mera produtora de commodities. Dentre todos os países produtores de petróleo, apenas a Noruega conseguiu casar a produção com um projeto de desenvolvimento.
Por isso mesmo, o Brasil tem que pensar de forma sistêmica a oportunidade que se abre, e que mudará não apenas a face do Brasil como do mundo.
MITTAL
A Arcelor Mittal, a maior siderúrgica mundial, adquiriu por R$ 10,31 bilhões em dinheiro e ações os papéis dos investidores minoritários de sua subsidiária brasileira. Após a transação de ontem, a Arcelor Brasil terá seu capital fechado. A empresa pagou R$ 53,89 por mais de 191 milhões de ações - até então havia cerca de 213 milhões de ações em circulação da Arcelor Brasil. Com isso, a oferta pública da empresa atingiu a condição necessária para o cancelamento do registro na Bovespa de sua subsidiária no país: a adesão de mais dois terços dos acionistas minoritários. A Mittal já possuía 66% de participação. Os acionistas de fora dos EUA puderam optar por uma oferta exclusivamente em dinheiro ou por uma combinação de dinheiro e ações ordinárias da empresa controladora. Os acionistas americanos só tinham autorização para receber a oferta em dinheiro. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) determinou, em fevereiro passado, que a Mittal elevasse sua oferta pela Arcelor Brasil como parte da aquisição da Arcelor, realizada por US$ 35,9 bilhões. A CVM disse que a oferta original da empresa, de R$ 33,3 por ação, era baixa demais. No início de abril, a empresa anunciou que aceitava elevar a sua proposta pela subsidiária no País.
são paulo
O governo federal autorizou a ampliação da capacidade de endividamento do Estado de São Paulo em mais R$ 4 bilhões. Esse valor será tomado em novos empréstimos com Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, JBIC (Japan Bank for International Cooperation) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A ampliação foi anunciada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, após reunião com o governador José Serra (PSDB), que pleiteava R$ 6,7 bilhões. Segundo o tucano, o Estado não vai desistir do restante - R$ 2,7 bilhões. O montante autorizado será investido, até o final deste mandato, em obras no metrô, nos trens e nas estradas vicinais.
Para complementar os aportes, o Governo Estado vai dar uma contrapartida que deve ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões, segundo o governador. Uma missão do Tesouro Nacional e-xaminou as contas de São Paulo nos últimos dez anos e fez projeções. De acordo com Mantega, houve melhora nas contas estaduais.
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