O futuro da Samello está nas mãos dos credores. Nessa segunda-feira, bancos, fornecedores e trabalhadores terão o poder de decidir, em assembléia, o futuro da empresa, que acumula dívidas de R$ 90 milhões e não produz desde outubro de 2006. Caso aceitem a proposta de pagamento feita pelo grupo, a recuperação judicial, iniciada em novembro, terá seqüência. Em caso de rejeição, a Justiça, automaticamente, poderá decretar a falência da fábrica. A reunião está prevista para as 15 horas, na sede da Samello.
Segundo a Lei de Falências, os credores são divididos em três grupos: com garantias reais (bancos), quirografários (fornecedores) e trabalhadores. Cada um deles tem direito a um voto. A Samello precisa ter, no mínimo, 50% dos votos, mais um, em cada uma das categorias para ter continuado seu processo. Se conseguir a aprovação de duas classes, o juiz tem autonomia para dar continuidade à recuperação. Caso contrário, se a proposta for rejeitada por duas categorias, a Justiça decretará a falência.
Para a advogada da empresa, Simone Barros, existe, ainda, a possibilidade de não haver quórum para a assembléia. Nesse caso, a decisão será adiada para a segunda chamada, no dia 15. “O administrador judicial (Ernesto Volpe Filho), que representará o juiz, só pode realizar a reunião com um mínimo de 50% em cada classe. Nunca vi acontecer em primeira chamada”, disse Simone.
O plano prevê o pagamento a longo prazo das dívidas com recursos levantados em uma eventual retomada da produção. Para isso, o grupo pretende vender imóveis. Para o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, que monitora as negociações, os bens só deverão ser vendidos após a assembléia, se o plano for aprovado. “Ninguém vai querer comprar nada. As pessoas ficam com medo por causa da situação da empresa”, disse ele.
CRISE NO SETOR
Desde o início de 2004, com a queda do dólar, os calçadistas têm sofrido. Neste período, grandes empresas do setor entraram ou se aprofundaram em crises financeiras. Algumas, como Samello e Sândalo, pararam de produzir. Outras, como Jacometti e também a Amazonas (que produz componentes) diminuíram suas estruturas. Há ainda o caso da Pé-de-Ferro, que se mudou para Cascavel (CE).
Para piorar, o calçado chinês ganha espaço no mercado internacional dia após dia.
Para o presidente do Sindicato da Indústria de Franca, Jorge Donadelli, a situação é grave e outras empresas podem sentir os efeitos da crise. “Infelizmente, o quadro é de grandes dificuldades”.
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