Retomada continua ‘no papel’


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A proposta de pagamento de dívidas da Samello está ancorada em uma modesta retomada de produção. A empresa quer pagar o que deve com o dinheiro que lucrar vendendo seu calçado. Na documentação entregue à Justiça, a previsão é que a retomada acontecesse entre maio e junho, mas, até agora, parece um sonho distante. Para produzir, seriam necessários, segundo fontes na empresa, pelo menos R$ 5 milhões de capital de giro, pois a Samello, hoje, tem crédito restrito entre os fornecedores e teria de comprar praticamente toda matéria-prima à vista. A fonte desses recursos seria a venda de seu vasto patrimônio, o que ainda não saiu do papel. Além disso, terá de montar uma nova equipe de trabalho. A missão, também, não seria fácil, pois hoje os débitos com ex-funcionários e prestadores de serviço estão em torno de R$ 8,6 milhões. Para Paulo Afonso, não tem como prever se haverá dificuldades. “Até agora, ninguém que trabalhava lá manifestou vontade de voltar. Por outro lado, há muita gente desempregada e vivendo de bicos”, disse. Mesmo que a Samello consiga retomar a produção, não lembrará, nem de longe, a potência que já foi. Tanto que a previsão de lucros da Samello para os próximos anos é modesta. Em 2019, se tudo correr como a empresa espera, o faturamento será de R$ 34,7 milhões. Muito distante dos R$ 109,4 de 2004. A previsão de pagamento de dívidas também é conservadora. O objetivo é que os débitos recuem dos atuais R$ 90 milhões para R$ 20 milhões daqui a 12 anos.

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