Muitas lágrimas e alegria. O casal Izabel Cristina da Silva, 31, e Luís Gonçalves Miranda, 36, se abraçaram e choraram muito ao ouvir o nome no sorteio dos 352 apartamentos da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Izabel é sapateira e o marido é pedreiro, eles têm quatro filhos e gastam cerca de um terço dos salários com o aluguel da casa no Jardim Aeroporto II.
Inscrito há dois anos na Prohab (Divisão de Habitação Popular de Franca), o casal tem quatro filhos, de 5 a 11 anos e chegou confiante ao Estádio “Lanchão”, mesmo participando do sorteio da urna azul, destinada àqueles que recebem de um a dois salários mínimos e que teve mais inscritos, 8.591. “Nós chegamos muito confiantes. Eu sabia que dessa vez nós íamos conseguir. Cheguei aqui às 9 horas muito tranqüila, nem fiquei nervosa durante o sorteio. Eu pedi muito para Deus que fosse sorteada”, disse Izabel, aos prantos de felicidade.
Miranda comemorou a conquista da casa própria e disse que agora terá mais condições de investir nos filhos. “O aluguel sempre pesou muito no nosso orçamento. Agora estamos livre disso, vamos até fazer um churrasco para comemorar”.
“Quem casa quer casa”. O ditado não poderia ser mais apropriado para a atendente Jaqueline Borges Carvalho, 25, a última da urna azul a ser sorteada. A sortuda, mãe de duas filhas, chegou ao estádio confiante, mas já estava ficando desanimada quando ouviu o locutor do sorteio dizendo que ia sortear o último nome. “É um sonho que eu estou realizando. Eu moro com meus pais e esperava ser sorteada para conseguir casar. Pedi muito a Deus por isso, agora o casamento sai”.
Quem não teve a mesma sorte de Jaqueline e de Izabel não escondeu a tristeza e decepção ao final do sorteio. A dona de casa Kênia Patrícia Custódia, 30, participa de sorteios da Prohab há 15 anos e nunca ganhou, nem como suplente. Ela é casada, tem três filhos de 6 a 14 anos e já perdeu as esperanças. “Eu oro bastante, mas é muito difícil. Neste ano tinha muito mais gente participando do sorteio. Nem fiquei chateada, vou participar até conseguir ser sorteada ou comprar minha casa”.
A falta de sorte do pintor Alexandre Barcelos de Cassio, 28, foi maior. Ele estava a caminho do estádio, por volta das 9 horas, carregando a esposa no cano de sua bicicleta, quando perdeu o controle e caiu. Os dois sofreram ferimentos leves e não foram sorteados. “A gente tinha muita esperança de conseguir pelo menos ser suplente, mas não deu dessa vez. Pagar aluguel é muito difícil e estamos pensando no futuro da nossa filha de um ano”.
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