‘Quando resolvi operar, já era tarde’, diz pai


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A dona de casa Cristina Pereira dos Santos abraça os filhos Bruno e Carla: mais dois bebês a caminho
A dona de casa Cristina Pereira dos Santos abraça os filhos Bruno e Carla: mais dois bebês a caminho
Na casa simples do Jardim Petráglia, os filhos da dona de casa Nadir Augusta de Andrade, 42, e do serviços-gerais Isvanildo Xavier de Andrade, 44, formam uma “escadinha”: 17, 15, 9, 8, 6, 5, 3 e 1 são as idades deles. Antes de se casar, os dois planejavam ter somente duas crianças. “Pensava em ter um ‘casalzinho’ apenas, um homem e uma mulher”, disse ela. Nadir e Isvanildo são pais de duas meninas e seis meninos. A interrupção da fertilidade de maneira definitiva aconteceu recentemente, quando a dona de casa estava grávida do oitavo filho. Isvanildo fez vasectomia pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Quando decidi operar, já era tarde. Estávamos com oito crianças para criar”, disse ele. Nadir tomou comprimidos contraceptivos algumas vezes, mas quando não encontrava na rede pública, ficava sem prevenção contra a gravidez. “Não tinha dinheiro para comprar”. Optar pelo preservativo masculino não a deixava muito confortável durante a relação. “Não gosto. A camisinha me machuca. Agora que meu marido operou estamos mais tranqüilos. Não podia ter mais filhos, de jeito nenhum. Meu corpo ficou muito fraco”. A família vive com o orçamento contado - nem móveis para guardar as roupas tem. A renda média mensal é de R$ 700, conseguidos com os bicos que o marido faz e os salários das duas filhas. Uma trabalha em fábrica de sapatos e a outra como babá. “Para Deus, não é muito ter oito filhos. A gente vai lutando. Temos um amor enorme por todos eles. Estamos contentes e sempre sinto falta quando um não está”, disse Isvanildo. A casa é própria, doação do sogro de Nadir. Na expectativa de garantir um futuro mais tranqüilo para as filhas, os pais dizem alertá-las sempre. “Falamos para tomarem cuidado, se cuidar”.

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