O Banco Central está no “corner”. Esse termo, de mercado, significa que está na chamada sinuca de bico. Mantidas as atuais regras do jogo cambial, não tem como enfrentar o mercado. Graças aos erros do BC, sucessivos erros, saliente-se, o real se tornou a commodity mais disputa no mundo.
Nenhuma outra moeda ou produto proporciona essa dupla rentabilidade. O investidor traz os dólares e converte em reais. Aí recebe as mais altas taxas de juros do planeta. Na hora de sair, converte os reais em dólares. Como o dólar está se desvalorizando, significa que receberá mais dólares ainda.
É uma combinação que faz brilhar os olhos da especulação mundial. Ainda mais depois que as agências de risco emitem sucessivos sinais de que não há risco de calote na dívida pública brasileira. O excesso de dólares acaba transbordando para outros mercados, permitindo esse “boom” das Bolsas de Valores.
Onde o parafuso começa a enroscar?
Com o BC impotente, o real continuará a se apreciar, o dólar continuará a desvalorizar. Cria-se o efeito-manada que vai jogando o dólar ladeira abaixo, atraindo mais especuladores para se beneficiar da valorização rápida do real.
Até que se chega em um nível em que o próprio mercado se dá conta de que o valor do dólar ficou impraticável. Aí a gangorra se inverte. Os especuladores procurarão sair do País mais rapidamente ainda do que entraram.
Se o problema brasileiro fosse apenas do excesso de dólares que entra pela balança comercial, não haveria problema. O investidor olharia os superávits e se acalmaria.
Mas o que está provocando a apreciação do real são movimentos de mercado, não da balança comercial. O enorme diferencial entre os juros internos e externos atrai uma massa violenta de dólares, que entra através da conta capital, mas entra também através de antecipação de exportações por parte das grandes empresas, operações no mercado de derivativos, toda uma teia de apostas que passa a maximizar qualquer movimento do dólar - na descida e, mais ainda, quando houver a reversão.
Os efeitos dessa maluquice são mais que conhecidos. Um deles é a quebradeira de setores e de empresas. O que se está vendo hoje em dia são resultados da apreciação cambial do ano passado. Os efeitos da atual onda de apreciação cambial serão sentidos daqui para frente.
O refluxo do dólar provocará uma desvalorização do real, com efeitos sobre os preços, ainda mais agora que uma parte relevante da indústria passou a se valer de insumos importados. O choque sobre os preços será muito maior do que em outros momentos.
Reação do BC? Aumentar novamente os juros, repetindo o mesmo roteiro dos últimos anos.
O pior não é isso. Nesse processo, parcelas relevantes das cadeias produtivas do setor de manufaturas já terão sido desmanteladas, repetindo a mesma sina pós-94.
Na área agrícola, o quadro não é melhor. Com esse câmbio, os preços finais começam a empatar com os custos de produção em muitas culturas. Se o BC não fugir da ortodoxia e tomar medidas administrativas para segurar o fluxo de dólares, o roteiro já é suficientemente conhecido.
PORTOS
A arraigada tradição de nomeações políticas para a direção dos portos brasileiros está com os dias contados, a julgar pelas declarações do secretário de Portos, Pedro Brito, que tomou posse há menos de um mês. Com status de ministro, Brito afirma que até o fim deste mês entregará ao presidente o diagnóstico da situação dos portos e um novo modelo de gestão, que implicará a troca do comando das sete companhias Docas. “O presidente quer profissionais, executivos da área portuária”, afirmou Brito na quinta-feira. A nomeação política gerou problemas crônicos nos portos, decorrentes da gestão ineficiente. Entre eles, um passivo em ações trabalhistas que chega a R$ 800 milhões no Porto de Santos e a R$ 400 milhões no do Rio de Janeiro.
Somados, os valores equivalem a quase metade dos R$ 2,7 bilhões previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para a infra-estrutura portuária nos próximos quatro anos.
BOVESPA
As altas consecutivas da Bolsa de Valores de São Paulo, aliada à forte queda do dólar, fizeram com que o valor de mercado das empresas negociadas na bolsa brasileira superassem nesta sexta-feira, pela primeira vez na História, a marca dos US$ 1 trilhão (R$ 1,9 trilhão). Com isso, o valor “encosta” no do PIB brasileiro, que fechou 2006 em R$ 2,3 trilhões. A nova marca coincide com a nova máxima histórica registrada pelo Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, que fechou o dia aos 53.422 pontos, com alta de 2,21% e volume financeiro igual a R$ 4,05 bilhões. Para ter uma idéia, no início do governo Lula, em 2003, o indicador estava na casa dos 10 mil pontos. Isso siginifica que houve, desde então, uma valorização de mais de 400% no Ibovespa.
COMÉRCIO
O presidente do Peru, Alan García, defendeu neste sábado um acordo comercial entre a Comunidade Andina (CAN) e a União Européia, enquanto seu colega equatoriano, Rafael Correa, manteve algumas reservas ao fim de sua reunião na cidade de Tumbes, na fronteira entre os dois países. Garcia reconheceu, porém, que na negociação do acordo “há algumas restrições por parte da Bolívia”. Foi o primeiro encontro de dois presidentes andinos após o fracasso das negociações com a UE, devido à recusa boliviana a incluir um TLC no acordo de associação comercial e de cooperação.
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