Tereza Gimenes, Joana Benedita, Cícero de Jesus e Zelinda de Oliveira. Essas pessoas não se conhecem, mas têm um sonho em comum: morar na casa própria e deixar de viver de favor ou pagando aluguel. Hoje esse sonho pode se tornar realidade. Junto a outras 11,5 mil famílias, Cícero e Zelinda concorrem ao sorteio dos 352 apartamentos construídos pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) no Jardim Santa Efigênia e Parque dos Pinhais. As aposentadas Joana Benedita, 64, e Tereza Gimenes, 65, terão que esperar um pouco mais. Com idade acima de 64 anos, participarão do sorteio de dezoito imóveis reservados aos idosos, que acontecerá em dia e local a ser agendado.
Joana sabe que participará do sorteio, mas a ansiedade é grande. "Poderiam marcar logo a data". Tanta expectativa tem uma explicação. A aposentada nunca morou em casa própria e, há pelo menos 40 anos, mora de favor na casa de um dos enteados. Ela se inscreveu na Prohab em 1990 e, de lá pra cá, participou de dois sorteios. Não teve sorte.
Junto ao marido Alcindo Bastianini, que hoje não anda por conta de um derrame, ela vive em uma casa de dois cômodos e na esperança de um dia dizer que é dona de uma casa. Joana e Alcindo sobrevivem de salário mínimo, mas os remédios e despesas de casa consomem quase tudo. "Estou rezando. Quero morar no que é meu".
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A expectativa de Joana é a mesma de 400 idosos que pegaram senhas para concorrer aos apartamentos. Segundo Vanderlei Tristão, presidente da Prohab, essa ansiedade ainda não tem data programada para terminar. "Na semana que vem, a CDHU deve definir a data do sorteio".
Diferente dos idosos, Zelinda Conceição Oliveira, 55, pode ver o sonho de uma vida inteira se transformar em realidade ainda neste sábado. Ela mora com o marido, filha, o genro e uma neta em dois cômodos alugados por R$ 120 na Vila São Sebastião. Se inscreveu na Prohab há 20 anos e, até o momento, não teve tem condições de comprar um terreno e construir. "Não consegui muitas coisas na vida. Tenho dívidas para pagar de remédios que comprava quando minha mãe estava viva". A mãe de Zelinda faleceu há dois anos.
O curtumeiro Cícero de Jesus Oliveira também espera ser contemplado. Ele estará hoje no Lanchão na expectativa de passar a primeira noite sabendo que em breve estará morando na casa própria. Casado há 16 anos, Cícero mora com a mulher e uma filha em dois cômodos na Vila Santa Maria. Pagam R$ 120 de aluguel. "Estou rezando para sair desse sufoco. Viver na incerteza de que a qualquer momento o dono pedirá a casa é muito ruim".
Vanderlei Tristão disse que, apesar do grande número de casas sorteadas nos últimos dois anos (foram 800), ainda falta muito para atender a demanda. "Atualmente são 1322 casas em construção, mas sabemos que isso não é suficiente".
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