Valter e Djanira moraram juntos por oito meses. No sábado, ela decidiu terminar o romance. Ele não aceitou a separação e tentou se matar por duas vezes tomando doses excessivas de remédios. Na manhã de ontem, foi à procura da mulher na casa dela. Não a encontrou. No período da tarde, a levou para um canavial.
Tomaram um lata de cerveja e uma taça de vinho. Brigaram. Valter matou Djanira a facadas e tentou cortar o próprio pescoço. Foi socorrido em estado grave.
A tragédia chocou a cidade de São José da Bela Vista ontem. Viúva e mãe de dez filhos -o mais novo tem 13 anos - a dona de casa Djanira Segatini da Silva, 53, morava em uma casa simples da Rua Manoel Martinho da Silva, área central. O marido morreu afogado há dois anos. Logo depois, ela passou a dividir o mesmo teto com o lavrador Valter da Silva, 55, que havia se separado de sua mulher.
Segundo familiares, o casal vivia bem e não brigava com freqüência. A relação começou a se deteriorar e Djanira resolveu terminar o relacionamento há uma semana. O lavrador tinha muito ciúme dela. “Ele não se conformou com a separação e ficou correndo atrás dela. No domingo e na segunda-feira, tentou se matar tomando remédios. Falava para ela: ‘Não consegui dessa vez, mas, da próxima eu consigo’”, contou Rosângela Aparecida Silva, irmã de Djanira.
Valter telefonou cinco vezes para a ex-companheira ontem pela manhã. Não foi atendido. Na hora do almoço, passou na casa dela com a desculpa de buscar comida para porcos. Perguntou por Djanira, mas ela não estava. Os dois teriam se encontrado no começo da tarde em circunstâncias ainda não esclarecidas. Só os dois sabem o que aconteceu depois.
Por volta das 16 horas, o funcionário de uma fazenda situada a dez quilômetros da cidade, sentido Nuporanga, avistou um Fusca amarelo parado num carreador de cana. Se aproximou para ver e encontrou dois corpos caídos ao lado do carro. Saiu correndo para chamar a polícia. “Chegamos ao local e já encontramos a mulher sem vida. Ela apresentava ferimentos no abdome e no tórax, provavelmente, causados por facas. O homem tinha um corte profundo na garganta e ainda tentava se explicar, mas não conseguia falar”, contou o investigador Massino.
Segundo o policial, Valter gesticulava para o próprio peito, como se quisesse dizer que foi o autor do crime. Respirando com dificuldades, ele foi socorrido por uma ambulância e levado à Santa Casa de Franca. Passou por cirurgia e permanecia internado no CTI (Centro de Terapia Intensiva) até o fechamento dessa edição.
Próximo do carro, os policiais apreenderam um chapéu preto, um par de sandálias Havaianas, dois celulares, uma lima para afiar ferramentas, uma faca de cabo plástico, um brinco, um crucifixo de metal, uma lata de cerveja vazia e uma taça de vinho. “Minha irmã deu a taça para ele como presente de aniversário no mês passado. Com o fim do relacionamento, o Valter pegou a taça de volta hoje (ontem) à tarde”. Pelos sinais encontrados no local do crime, a polícia acredita que o casal tenha entrado em luta corporal. Caso sobreviva, o lavrador sairá diretamente do hospital para a cadeia.
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