Um ano e sete meses se passaram e nada. Poder público, Conselho Tutelar e entidades assistenciais não agiram com firmeza para solucionar o drama em que vive a família Stalin. Desde setembro de 2005, quando vieram à tona as dificuldades enfrentadas pela trabalhadora rural aposentada Natalina Vieira Stalin, 50, que tem vários problemas de saúde, mal sai da cama e cuida sozinha de seis netos, com idades entre 2 e 11 anos, apenas medidas paliativas foram tomadas. Enquanto isso, a mulher e as crianças permanecem à margem da linha da pobreza, comendo mal e sem ter, sequer, agasalhos, calçados e cobertores para enfrentar o frio que tem feito na cidade.
Em setembro de 2005, o Comércio noticiou o drama e a necessidade de Natalina pela primeira vez. De lá para cá, foram publicadas outras sete matérias, produzidas por cinco repórteres diferentes. Muitas fotos ilustraram fielmente a situação em que vivem os Stalin.
Assistentes sociais e conselheiros tutelares, a cada nova publicação, comprometiam-se a trabalhar para minimizar o sofrimento da família. No entanto, tudo que foi conseguido foi um repasse mensal de R$ 94, proveniente do programa Renda Mínima. E nada mais. Para se ter idéia, somente com leite, fundamental na alimentação de crianças, são gastos mais de R$ 150 a cada 30 dias.
Com isso, a sobrevivência da família vem sendo garantida por doações esporádicas de particulares e de uma fábrica de calçados. Mesmo diante de tal cenário, o secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, disse que a Prefeitura vem cumprindo com seu papel. “O objetivo do programa não é manter as pessoas na pobreza, mas resgatá-las”, disse. O difícil é imaginar como esse resgate pode ser efetuado com pouco mais de R$ 3 por dia.
Nunes Rocha prometeu que o caso dos Stalin será revisto. Disse que vai deslocar uma profissional do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) ainda hoje para resolver a questão. Disse ainda que tentaria “ir pessoalmente” à residência da família Stalin para constatar o problema.
SEM CONDIÇÕES
A casa onde moram Natalina e os netos é muito simples. Dois quartos, sala, cozinha e um pequeno banheiro. As paredes não são rebocadas. Poucos são os móveis. O orçamento familiar fica resumido ao auxílio-doença pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do repasse do Renda Mínima. Agora, está ainda mais reduzido. “A companhia (CPFL) veio cortar minha energia elétrica e tive que fazer um empréstimo para evitar. Agora, recebo R$ 100 a menos no meu pagamento”, disse.
Há um ano, Natalina quebrou um dos joelhos em uma queda e consegue andar pouco. Além disso, tem artrose, hipertensão e diabetes, e, não raro, precisa ser internada por conta de complicações dessas doenças. Mesmo com tantas dificuldades, tem de dar o café da manhã para as crianças e esquentar o almoço, geralmente feito na noite anterior por alguma vizinha ou familiar. É o que ela consegue fazer. As outras tarefas da casa são realizadas, também, por terceiros. As crianças vão à escola, situada no mesmo bairro, Jardim Aeroporto III, guiadas pela irmã mais velha, Odaísa, de apenas 11 anos, que também ajuda a dar banho e trocar os mais novos.
Em que pesem todas as dificuldades, inclusive alimentares, a grande preocupação de Natalina, no momento, é com o inverno. Sem condições de comprar cobertores e agasalhos, as crianças têm sofrido com as baixas temperaturas, principalmente durante a noite. A saída tem sido colocar todas para dormir juntas, uma esquentando a outra. “Não posso comprar e sei que tem pessoas com roupas e cobertas sobrando. Se elas puderem nos doar, será uma bênção”, disse a aposentada. “Meias e sapatinhos também serão bem-vindos. À noite, os pezinhos deles ficam gelados. Morro de dó”.
Segundo Natalina, além dos agasalhos, cobertores e calçados, qualquer tipo de doação é bem- vinda. Os donativos podem ser entregues na Rua Jornalista Cláudio Abramo, 1016, no Jardim Aeroporto III.
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