Quando o carro da reportagem parou em frente à residência de Natalina, a reação das seis crianças foi comovente. Todas correram para abraçar o repórter e o fotógrafo Tiago Brandão.
Algumas pediam para beijá-las. Segundo a avó, sempre que pára um carro na porta ou alguém bate palmas, elas agem dessa maneira, pois sabem que algum tipo de ajuda pode estar chegando. A mais efusiva era Odaísa Cristina, de 11 anos. “Que bom que vocês vieram. Entrem, sentem, minha avó está deitada no quarto”, disse.
Comércio - Por que vocês ficam tão alegres quando chega alguém aqui?
Odaísa - Porque a gente sabe que muitas pessoas ajudam a gente. Trazem leite, comida, roupas. Graças a Deus elas sempre vêm.
Comércio - Como vocês se divertem? Do que brincam?
Odaísa - De pega-pega, de esconde-esconde, de um monte de coisas legais.
Comércio - Vocês têm bonecas, carrinhos? Que brinquedos gostam?
Odaísa - A gente tem só um pouquinho.
Comércio - De que forma você ajuda sua avó a cuidar de seus irmãos menores?
Odaísa - Ajudo a dar banho, ir para a escola, olho eles de verdade. Eles são muito pequenos.
Comércio - Você está na quarta série. Que profissão quer seguir?
Odaísa - Vou ser professora para ensinar um monte de coisas para as crianças. Ler, escrever e ser boa para as outras pessoas. Também quero trabalhar muito, para ganhar muito dinheiro.
Comércio - E o que quer fazer com todo o dinheiro que ganhar?
Odaísa - Comprar comida, os remédios que minha avó precisa e ajudar muitão (sic) as pessoas mais pobres e necessitadas.
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