Verdes ou marrons, com asas, antenas que não param de se mover e patas gigantes para saltarem, os gafanhotos têm sido comumente flagrados em vôos rasantes ou ao redor das lâmpadas em diversos pontos da cidade. Os insetos são encontrados em casas, lojas, shoppings, praças, escolas e até em em salas de velórios.
De cores e características parecidas, os gafanhotos são confundidos com seus primos louva-a-deus e grilos. Mas o biólogo e professor Alex Melo disse que as espécies encontradas em Franca são de gafanhotos. Para ele, a população desses insetos está na cidade por causa do desequilíbrio ambiental. "Com a destruição das florestas, seus predadores naturais - aranhas, escorpiões e pequenos mamíferos - desaparecem, provocando aumento da população".
Outra possível causa para a invasão seria o frio. O biólogo acredita que os animais possam estar fugindo da frente fria vinda do sul. "A queda de temperatura foi repentina e muito forte. Os gafanhotos são acostumados a ambientes mais quentes e estão atrás deles".
Esses bichos voam guiados pela luz da lua e acabam confundindo a iluminação das casas e postes com esse ponto de referência, por isso entram nas residências. É justamente ao redor das lâmpadas que o vendedor Leandro Feliciano, 31, morador no Jardim Guanabara, vive encontrando os insetos voadores. "Aparecem muitos por aqui, sempre na época de inverno, mas neste ano parece que tenho encontrado mais. Sorte que é um bicho inofensivo". "A vila está `empesteada` de gafanhotos", disse o jovem Gustavo Ribeiro, 19, do mesmo bairro.
Os insetos não são nocivos à saúde humana e não precisam ser exterminados. A orientação é apenas fechar a casa para evitar invasões. O maior problema causado por eles é a devastação de plantações quando estão em grande número. "Na região, não há tanto risco, pois cana e café (eles comem folhas) não são alimentos preferidos dessas espécies. Porém, em Ribeirão Preto e Jaboticabal foram registrados ataques a jardins e hortaliças.
Isso pode ocorrer, pois, uma vez que estão aqui, vão caçar alimentos", disse Alex.
Enquanto não deixam a cidade, as aparições continuam comuns, especialmente à noite. "São muitos bichos. O estacionamento fica lotado. Num único dia, o professor de biologia Tadeu contou 380 insetos, mas tinha muito mais, eram milhares", disse Marcos Masini, assessor de imprensa da Unifran (Universidade de Franca).
Em outro bairro, no Jardim Roselândia, "os visitantes" também são comumente avistados. Na loja do Magazine Luiza do Franca Shopping, têm aparecido nas vitrines e em meios às mercadorias faz cinco dias. "Vemos eles em todos os lugares. Alguns aparecem mortos", disse a vendedora Laudarina de Oliveira.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.