Ao contrário dos funcionários, os professores da Unesp não aderiram à greve. A decisão foi tomada ontem à tarde, em assembléia da Adunesp (Associação dos Docentes da Unesp), que reuniu 18 dos 86 professores. Além do indicativo de greve, foi discutido o movimento reivindicatório nas universidades públicas do Estado de São Paulo.
Os professores consideraram que, em vez da greve, outras formas de manifestações devem ser tomadas para esclarecer o conteúdo dos decretos do governador José Serra (PSDB). "Queremos esclarecer a criação da Secretaria de Estado do Ensino Superior e a vinculação da execução orçamentária das universidades públicas ao Siafem (Sistema Integrado de Administração Fazendária de Estados e Municípios)", disse Pedro Tosi, presidente da Adunesp de Franca.
Após a assembléia, foi redigida uma nota em que consta a posição dos professores. Nela, os docentes manifestaram estar "vivendo um difícil momento político que põe em xeque a autonomia da universidade na medida em que as ações de governo restringem o uso de dotações".
Já os alunos definiram ontem à noite que estão em estado de greve em solidariedade aos funcionários. Os cerca de 300 presentes também reitereram a decisão de manter a ocupação à sala do vice-diretor do campus, Fer-nando Fernades, até que 11 das 18 reivindicações da pauta sejam atendidas. "Não vamos fazer greve por fazer, não vamos parar a toa. O objetivo é mobilizar e conscientizar o maior número de pessoas", disse Vinícius Peixinho, 23, aluno de história.
Um grupo, denominado Jesse Valadão, manifestou-se contra o movimento. "Criamos um grupo crítico, com mais de 30 participantes, que não concorda que um pequeno nú-mero de alunos re-presentem todos", disse Pedro Vitor da Rocha, 20, de Relações Internacionais.
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