Franca vende 10 vezes mais do que compra no exterior


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EM ALTA - Couros são preparados no curtume: levantamento mostra que o percentual de exportações aumentou neste ano
EM ALTA - Couros são preparados no curtume: levantamento mostra que o percentual de exportações aumentou neste ano
Franca vendeu 10 vezes mais produtos para o exterior do que comprou nos primeiros quatro meses deste ano. É o que indicam os dados da balança comercial da cidade divulgados nesta semana pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. São US$ 72,05 milhões vendidos contra US$ 6,9 milhões comprados. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve um aumento de 1,09% no volume de negócios da balança comercial de Franca. Se os números parecem ser motivos para comemoração, um outro dado chama a atenção. As exportações de calçados caíram, diminuindo a participação da mercadoria no total das vendas francanas de 62,67% (US$ 44,6 milhões) para 54,63% (US$ 39,4 milhões). Enquanto isso, a venda de couro no exterior mais do que dobrou sua representatividade, de 14,58% (US$ 10,4 milhões) para 27,4% (US$ 19,7 milhões). “Os números mostram que estamos abastecendo os concorrentes internacionais com nosso couro”, disse o consultor de Comércio Internacional da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Ivânio Batista. Para ele, isso é um problema. “Em vez de exportarmos o sapato acabado e lucrar com isso, estamos vendendo matéria-prima para que fabricantes de outros países façam calçados e acabem por ocupar um lugar que seria nosso. Isso merece atenção”. Para o presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), Jorge Félix Donadelli, os dados do Ministério não são novidade. “Estamos, sim, preocupados. A China está comprando nosso couro como wet blue (de menor valor agregado) e depois exportando sapatos mais baratos do que o nosso.” Apesar de não exportar, o diretor regional da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em Franca e proprietário do Curtume Tropical, Wayner Machado, tem consciência do aumento das exportações de couro, mas resiste em adentrar neste mercado. “Não exporto porque meu comprometimento é com o mercado local. Até o último momento, prefiro atender as empresas do mercado interno”.

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