‘Sei que não há como voltar atrás. Tenho de seguir a vida’


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Luís Taveira de Almeida mostra a prótese da perna esquerda, usada há quase cinco anos: “Pelo menos, continuei vivo. Tenho uma vida 90% normal, o que já é um privilégio”
Luís Taveira de Almeida mostra a prótese da perna esquerda, usada há quase cinco anos: “Pelo menos, continuei vivo. Tenho uma vida 90% normal, o que já é um privilégio”
“Pelo menos, continuei vivo”. É essa a mensagem que Luís Taveira de Almeida, 28, ex-auxiliar de caminhão, costuma passar quando fala do acidente que decepou metade da sua perna esquerda. Em outubro próximo, completará cinco anos que precisou aprender a viver com uma prótese para poder andar. “Deus quis assim. Nunca fiquei abalado, pensei que eu era ninguém. Sei que não há como voltar atrás. Tenho de seguir a vida”. Fazia três meses que Luís havia sofrido a amputação quando ganhou a prótese de um amigo. Desde então, consegue tomar ônibus, sai do Elimar onde mora e vai até o Centro para pagar contas, freqüenta as atividades da Adef e ajuda a cuidar da filha de 4 meses. “Tenho uma vida 90% normal, o que já é um privilégio. A principal mudança foi não poder mais carregar peso, o que era fundamental no meu serviço. Parei de trabalhar e sobrevivo com benefício do governo”. A HISTÓRIA Luís viajava de moto com o irmão no dia 13 de outubro de 2002 quando sofreu o acidente. Ele haviam passado o domingo em Rifaina e, na volta, ao atravessar a rodovia, a moto afogou. Um Santana bateu nos dois, que foram arremessados longe. A perna de Luís partiu no momento da colisão. O irmão dele morreu na hora. Para o ex-auxiliar de motorista, a perda do irmão o fez se conformar com a amputação. “Pelo menos, continuei vivo. Não tê-lo mais por perto foi muito pior que ficar sem a perna. O restante a gente vai levando”.

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